Os mesmos dados, duas leituras. Os 39 colégios privados com contrato de associação com o Estado que ficaram impedidos de abrir novas turmas em início de ciclo (5.º, 7.º e 10.º anos) este ano letivo estão entre os mais bem e os mais mal classificados nos rankings das escolas elaborados pelo Observador e pela Nova SBE, com base nos dados do Júri Nacional de Exames.

Seis dos 39 colégios — Colégio de S. José (Irmãs Dominicanas), em Lisboa; Colégio Rainha Santa Isabel, em Coimbra; Colégio Paulo VI, em Gondomar; Colégio Bartolomeu Dias, em Loures; Colégio Rainha D. Leonor, nas Caldas da Rainha e Colégio Nossa Senhora da Assunção, em Anadia — estão no top 50 das escolas secundárias e o Colégio Rainha Santa Isabel, em particular, encontra-se em segunda posição das escolas secundárias que mais contribuem para a promoção do sucesso dos alunos, quando comparado com a média nacional. Se alargarmos para o top 100, então aí aparecem 15 destes 39 colégios.

É o que sempre dissemos. Todo este processo foi feito com leviandade pedagógica. O maior interesse da criança devia ser o colégio que tem melhores resultados. Tomar decisões sem ter em conta os resultados escolares é leviano”, reage Rodrigo Queiroz e Melo, diretor executivo da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP).

Mas nem todos os colégios ficam bem na fotografia. Por exemplo, o Instituto Educativo de Souselas, em Coimbra, aparece em 435.º lugar no ranking elaborado pelo Observador e a Nova SBE para o secundário (e em 381 no ranking do sucesso) e o Externato Vila Meã, em Amarante, aparece em 440.º lugar (e em 191 no ranking do sucesso).

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Se olharmos para os rankings do 9.º ano, entre as 10 piores escolas privadas, quatro pertencem a esta lista de 39 (Colégio Campos, em Vila Nova de Cerveira; Instituto Educativo de Souselas, em Coimbra; Escola Evaristo Nogueira, em Seia; e Externato Vila Meã, em Amarante) que o Ministério da Educação impossibilitou, este ano letivo, de abrir mais turmas em início de ciclo. Um processo que alguns destes colégios privados levaram a tribunal.

“Os colégios com contrato de associação recebem alunos com as mesmas regras dos agrupamentos públicos”, justifica Rodrigo Queiroz e Melo, acrescentando que, na próxima semana, a AEEP “vai não só olhar para a posição no ranking geral mas também olhar localmente para a alternativa pública para os pais. Talvez ainda esteja pior nessa lista”.