O veículo mais emblemático do construtor espanhol, produzido desde 1984 e que já convenceu mais de 5,4 milhões de consumidores, vai usufruir de uma renovação total. E argumentos não lhe faltam, pois recorre a uma nova plataforma, utiliza motores mais potentes e económicos e, acima de tudo, é maior por dentro, sem ser excessivamente maior por fora. Se o habitáculo cresce, a bagageira não lhe fica atrás, tal como a quantidade de equipamento disponível, tanto ao nível das soluções destinadas à segurança, como aquelas que visam optimizar o entretenimento.

Mas é giro?

A resposta é sim, confirmando uma evolução em relação à geração anterior. Enquanto o Ibiza precedente estava desenhado para parecer mais estreito e alto, o novo pretende ser visto como mais baixo e largo. Além disso, herda soluções estéticas derivadas do Leon e do Ateca, ao nível da grelha e dos grupos ópticos. Os painéis laterais também aderiram à moda preconizada pelo Leon, com vincos horizontais em vez de descendentes, o que contribui para o aspecto mais dinâmico do modelo. A traseira é a parte do novo utilitário que mais rompe com o que nos habituou o Leon, surgindo mais vertical – privilegiando a capacidade da mala – e mais agradável.

Maior ou menor? Ambos

De fita métrica em punho, é fácil constatar que o novo Ibiza é mais largo do que o seu antecessor, nada menos do que 8,7 cm, reivindicando ainda praticamente a mesma altura (na realidade é 1 mm mais baixo) e comprimento total (menos 2 mm). Porém, onde verdadeiramente interessa, o Ibiza cresce consideravelmente, exibindo uma distância entre eixos de 2,564 metros, ou seja, maior face ao seu antecessor em 9,5 cm. É esta medida que lhe permite um maior espaço habitável, designadamente na largura ao nível dos cotovelos -e no que respeita ao espaço para as pernas, onde há agora mais 3,5 cm disponíveis para quem se senta atrás. Curiosamente, apesar do novo modelo ser ligeiramente mais baixo, oferece mais 24 mm de altura interior à frente e 17 mm na traseira.

Este incremento foi conseguido à custa da utilização de uma nova plataforma, a MQB A0 – a que vai servir os futuros carros compactos do Grupo Volkswagen, a começar pelo futuro Polo –, o que permite ao Seat ter um chassi 30% mais rígido. A nova plataforma é ainda responsável por uma bagageira muito mais generosa, agora com 355 litros, o que significa um incremento de 63 litros face ao modelo anterior.

E o comportamento?

O Observador esteve presente numa apresentação estática, pelo que para ter uma ideia da eficácia do comportamento seria necessário dons de premonição e, muito provavelmente uma mesa de pé de galo. Mas há indicadores positivos, e podemos começar logo pelas vias mais largas. Com mais 6,0 cm de distância entre os pneus da frente e 4,8 cm entre os traseiros, o Ibiza possui uma área muito superior face ao seu antecessor.

Como se isto não bastasse, o incremento da distância entre eixos, sem incrementar o comprimento total, obriga a deslocar as rodas para as extremidades da carroçaria, o que mais uma vez reduz o peso suspenso à frente do eixo dianteiro e atrás do traseiro, o que evita a tendência para fugir de frente, no primeiro caso, e a vontade de sair de traseira quando se desequilibra, no segundo. Igualmente importante é facto do novo Ibiza, por exemplo na versão 1.0 TSI de 95 cv, pesar agora 1022 kg, menos 73 kg do que anteriormente, dieta que obviamente vai ter reflexos das acelerações, comportamento e consumos. Porém, todas estas considerações são puramente teóricas, carecendo de confirmação prática, para quando nos pudermos sentar ao volante. O que acontecerá, ao que tudo indica, no próximo mês de Maio.

Um motor novo e os outros

O novo Seat não inova muito em termos mecânicos, mas recorre ao que de melhor existe no banco de órgãos do Grupo Volkswagen e a um motor novo, que também vai ser utilizado no Golf. Referimo-nos ao 1.5 TSI a gasolina, que aqui fornece 150 cv, substituindo o anterior 1.4, com a vantagem de ser mais eficiente sob o ponto de vista energético. Contudo, esta unidade só estará disponível lá mais para o final de 2017.

As versões mais apetecidas, ler “mais baratas”, vão recorrer o motor 1.0 TSI, que com apenas três cilindros fornece 95 cv ou 115 cv, consoante a versão, sendo que quanto mais potente é o motor, mas caro é o modelo. O que em relação aos consumos não é necessariamente verdade. Todos os motores a gasolina recorrem a turbocompressor e a injecção directa.

Os turbodiesel não foram esquecidos, mas não será utilizado o motor 1.4 TDI, pelo menos para já. Ao serviço vai estar o 1,6 TDI, que terá de assegurar potências de 80, 95 e 115 cv. Para os condutores com maiores preocupações ambientais, a Seat preparou uma versão a gás comprimido, que polui menos e torna a condução mais económica, continuando a garantir uma potência satisfatória (90 cv).

Equipamento sob medida

Em termos de equipamento, o Ibiza vai estar disponível com os níveis Reference, o mais acessível, continuando depois com o Style e, por fim, o FR e o XCellence, sendo estes últimos os mais desportivos e luxuosos, respectivamente.

Soluções para tornar a condução mais divertida – por exemplo, suspensões de dureza variáveis no FR e no XCellence (estas ligeiramente mais macias) – estão disponíveis, tal como sistemas de ajuda à condução como o Front Assist, o Cruise Control Adaptativo e o acesso sem chave. Contudo, o elemento mais visível será o ecrã de 8” que permite controlar uma série de funções e a conectividade com os smartphones, que a Seat diz estar mais facilitada e intuitiva.

Que versões e para quando?

O Ibiza agora revelado tem previsto, para já, versões de cinco portas. O SC de três portas e a carrinha não têm lançamento agendados porque, pura e simplesmente, nem sequer estão a ser equacionados. E as primeiras unidades vão chegar a todos os mercados, Portugal incluído, a partir de meados de Junho.

É certo que a carrinha não vai estar disponível, mas os clientes em busca de maior versatilidade não perdem pela demora, isto porque, em Setembro ou o mais tardar em Outubro, deverá ser revelado o Arona, o SUV com base neste Ibiza que irá concorrer com o Renault Captur, Peugeot 2008 e Nissan Juke, os líderes dos mini SUV.

Quer um Cupra? Esqueça!

Ao que o Observador apurou, no final desta apresentação, a marca espanhola, neste momento, não tem previsto o desenvolvimento de uma versão Cupra, tipicamente a mais desportiva da gama. Ao contrário do que acontecia até aqui, o 1.8 TSI de 192 cv não vai ocupar o capot do novo Ibiza. Porquê? A razão prende-se com o forte investimento da Seat no novo modelo, o que obrigou a cortes em tudo o que era supérfluo, isto é, menos representativo em termos de vendas. Daí também não haver versões de três portas, nem carrinha.