Pais de alunos fecharam esta segunda-feira a cadeado os portões da Escola Básica de Santiago Maior, em Beja, em protesto contra a falta de auxiliares, que tem provocado vários problemas, como o aumento de casos de violência.

O fecho dos portões da escola, num protesto promovido por pais com o apoio da Associação de Pais e Encarregados de Educação, impediu os alunos do 1.º ciclo do Ensino Básico de terem aulas no 1.º período da manhã e os do 2.º e 3.º ciclos de comparecerem às primeiras aulas de segunda-feira. Após a intervenção da PSP, responsáveis da associação de pais retiraram os cadeados e abriram os portões de acesso ao edifício onde funcionam as aulas dos 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico e ao Centro Educativo do 1.º ciclo.

Em declarações à agência Lusa, Sofia Monteiro, da associação, explicou que o protesto serviu para “mostrar o mal-estar crescente e denunciar os problemas que pais têm vindo a reportar desde o início do ano letivo devido à falta de auxiliares” na escola. A falta de vigilância e de acompanhamento de alunos nos intervalos das aulas, o que “vai dando origem a casos de violência” entre alunos, que têm “aumentado”, e de “crianças que acabam por ficar perdidas”, é um dos problemas denunciados por Sofia Monteiro.

Segundo a responsável, devido à falta de auxiliares, há problemas de higiene e limpeza dos espaços, na portaria e “caos no refeitório” do Centro Educativo do 1.º ciclo, porque “não há funcionários suficientes para apoiar as crianças na hora das refeições e algumas acabam por não comer em condições”. Sofia Monteiro denunciou também casos de alunos com necessidades educativas especiais, como o seu filho, de 10 anos, com deficiência, que “não têm direito a intervalo e têm de ficar nas salas de aula porque não há funcionários para os acompanhar”.

Segundo Sofia Monteiro, desde o início do ano letivo que a associação de pais tem reportado os problemas à direção do Agrupamento de Escolas n.º 1 de Beja, do qual a Escola Básica de Santiago Maior faz parte, e aos serviços do Alentejo da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE). No entanto, “a reposta tem sido sempre a mesma: o Agrupamento de Escolas n.º 1 de Beja cumpre o rácio de pessoal não docente e não há mais auxiliares para colocar”, lamentou, referindo ter sido esta a informação que a associação de pais recebeu na semana passada do diretor dos serviços do Alentejo da DGEstE.

Por isso, alguns pais organizaram-se de “forma espontânea” e com o apoio da Associação de Pais e Encarregados de Educação fizeram o protesto de hoje e “provavelmente irão fazer outros se não houver uma resposta satisfatória às suas exigências”. Em declarações à agência Lusa, o subdiretor do Agrupamento de Escolas n.º 1 de Beja, José Ferro, disse que a direção do agrupamento está “preocupada” com a situação e “compreende a posição dos pais”, mas “não tem capacidade de reposta”.

Para os pais, o atual número de auxiliares da Escola Básica de Santiago Maior “é um problema”, mas para o Ministério da Educação o Agrupamento de Escolas n.º 1 de Beja “cumpre o rácio e até ultrapassa em três o número de funcionários que devia ter de acordo com a lei”, disse José Ferro.

“O agrupamento faz o que pode. De acordo com o rácio, há três auxiliares a mais no agrupamento, mas a realidade é que não tem capacidade para dar resposta às necessidades”, disse José Ferro. Segundo José Ferro, a direção do agrupamento “não pode transferir mais funcionários” para a Escola Básica de Santiago Maior, porque “o cobertor é curto e quando tenta tapar a cabeça destapa os pés e quando tenta tapar os pés destapa a cabeça”.