O universo retro e infantil e o mundo onde vivemos, cada vez mais inconsistente, foram os temas das coleções que Carlos Gil e Pedro Pedro, respetivamente, apresentaram na Milano Moda Donna. Os designers trouxeram para a passerelle italiana, no passado domingo e no decorrer de mais uma iniciativa de internacionalização do Portugal Fashion, aquilo que acreditam ser as tendências para o próximo outono-inverno 2017/2018.

Uma mão cheia de horas separou os dois desfiles que, em boa verdade, apenas tiveram em comum o talento luso e a morada da moda — as criações de ambos desfilaram no Cavallerizze, um centro de exposições inserido no interior do Museu Nacional da Ciência e da Tecnologia Leonardo Da Vinci.

A coleção de Carlos Gil apostou em estampados com motivos infantis e aplicações acrílicas misturadas com padrões geométricos. Nas cores, o tom “rosa pó” foi um dos eleitos. © Ugo Camera

Carlos Gil, criador de 48 anos nascido em Moçambique, foi o primeiro a apresentar as suas propostas. O criador apostou em estampados com motivos infantis, padrões geométricos e sobreposições que pretenderam, do início ao fim, evidenciar diferentes escalas, texturas e tons. Entre as cores rosa, amarelo vivo, verde-água, azul e laranja, estiveram transparências elegantes a fazer jus à silhueta feminina. Os materiais também falaram por si, com o designer a fazer sobressair os brocados, veludos, pêlos volumosos, tules, tecidos brilhantes e caxemira.

A diversidade foi a palavra-chave de Carlos Gil, que fez chegar à passerelle casacos oversize com bolsos utilitários, calças largas e vestidos esvoaçantes, mas também fatos de treino — os elementos desportivos são, de facto, uma preferência do designer que, desta vez, batizou a sua coleção de “Magic Tale”.

Pedro Pedro optou por brincar com volumetrias exageradas e cortes assimétricos. © Ugo Camera

Brincar com formas estranhas e dar luz verde à criatividade parecem ser as linhas orientadoras de Pedro Pedro que, mais uma vez, não ficou aquém das expectativas. As criações do designer de 44 anos refletiram um discurso errático devido aos cortes assimétricos e às sobreposições contrastantes. O português foi buscar ao mundo irado, revolto e tecnológico novas formas de vestir. Resultado? Silhuetas deformadas, pormenores excessivos e volumetrias exageradas.

Com o nome “La mer qu’on voit danser” (“O mar que vemos dançar”, em português), Pedro Pedro fez da coleção um jogo de opostos ao usar materiais muito distintos uns dos outros — borrachas, algodões encerados, lãs e acabamentos à prova de água termocolados. Nas cores, destaque para os azuis, brancos, pretos, vermelhos e verde-garrafa.

Esta foi a quarta vez consecutiva que o Portugal Fashion marcou presença na Semana da Moda de Milão. O próximo passo na agenda internacional é a Semana da Moda de Paris, que acontece entre 28 de fevereiro e 7 de março, com o desfile de Luís Buchinho.