Uma mulher ficou protegida da cegueira após o primeiro tratamento bem sucedido por células estaminais pluripotentes induzidas. Uma fina camada de células da retina criadas em laboratório através de células estaminais foi colocada nos olhos da paciente, que tem cerca de 80 anos, protegendo-a da degeneração macular, uma condição que normalmente conduz à cegueira. Agora as células que compõem a retina já não vão sofrer mais danos nos próximos dois anos e a visão no centro do campo visual (mácula) não ficará comprometida.

Estas células estaminais são pluripotentes porque têm a capacidade de se transformar em vários tipos de células. Mas, ao contrário do que acontece nas células estaminais que existem nos embriões, aquelas que são induzidas em laboratório podem ser produzidas através de células especializadas recolhidas de adultos. Isso é possível introduzindo genes de células estaminais nessas células adultas. No caso particular desta mulher, o Laboratório para a Regeneração da Retina (Japão) recolheu células da pele da paciente e transformou-as em células estaminais pluripotentes induzidas. Essas células estaminais receberam os genes específicos do epitélio pigmentário retinal, que garante a correta receção da luz pelo olho.

De acordo com o relatório publicado no New England Journal of Medicine, os cientistas criaram uma camada dessas células com 1 milímetro de espessura e 3 milímetros de comprimento. Os médicos começaram a remover as células defeituosas da retina que a estavam a impedir progressivamente de ver e depois transplantaram a camada de células criadas em laboratório. A operação foi feita em 2014, mas as certezas chegaram apenas agora: ao fim de três anos, a visão da mulher não ficou melhor do que antes da operação, mas está estável.

Mas pode haver perigos associados. De acordo com um outro estudo publicado esta quinta-feira no mesmo jornal, a introdução de tecidos criados em laboratório através de células estaminais pode levar ao desenvolvimento de cancro se as novas células forem portadoras de mutações genéticas. Embora essa situação não tenha sido detetada nesta mulher, houve uma operação cancelada em 2015 porque foram encontradas mutações genéticas nas células que seriam introduzidas nos olhos de um homem.

Outro perigo é que algumas clínicas privadas já estão a realizar operações semelhantes de forma não regulada. Há três casos relatados de pessoas que se submeteram a este tratamento, com injeção de tecido adiposo nos olhos, mas sem resultados positivos: uma das pessoas ficou cega e a visão das outras duas piorou em relação ao estado em que estavam antes da intervenção, que custou a cada uma 5 mil dólares.