Um saco cheio de líquido, a imitar um útero, permitiu o desenvolvimento de oito cordeiros prematuros num útero artificial externo. O estudo, divulgado esta terça-feira na Nature Communications, é o resultado de uma investigação levada a cabo por uma equipa de cientistas do Hospital Pediátrico de Filadélfia, na Pensilvânia, nos Estados Unidos.

Para a investigação foram utilizados oito cordeiros nascidos de cesariana numa fase de gestação de apenas 110 dias, equivalente às 23 ou 24 semanas de um feto humano. Os cordeiros conseguiram viver até quatro semanas no interior do saco, tendo sido depois ventilados artificialmente. Ao longo das quatro semanas, os seus cérebros e pulmões desenvolveram-se, os cordeiros abriram os olhos e começaram a mexer-se, tendo, inclusive, aprendido a engolir sozinhos.

O Biobag, tal como é chamado, consiste num recipiente feito de plástico inerte cheio de fluído, de tal forma que consegue imitar o ambiente intra-uterino. O saco é composto por um tubo que fornece líquido amniótico artificial e outro que o drena. O coração do bebé bombeia sangue através do cordão umbilical para uma máquina localizada no exterior do saco, que substitui a placenta, permitindo a troca contínua de oxigénio e dióxido de carbono.

Apesar de alguns cordeiros terem apresentado complicações — e de o teste em humanos estar, muito provavelmente, a anos de distância –, a experiência científica está, segundo a Science Mag, a gerar “entusiasmo” entre aqueles que cuidam de mulheres grávidas e dos seus bebés extremamente prematuros. Todos os anos, nascem cerca de 90 mil bebés prematuros só nos Estados Unidos e na Europa, com o prognóstico a ser complicado, dada a taxa de sobrevivência que varia entre os 10 e os 50%.