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Martelinhos, sardinhadas e concertos. Guia para celebrar a maior festa do Porto

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Onde comer sardinhas sem ficar como sardinha em lata? Que bailarico escolher? Quais os concertos da noite? Temos sugestões para quem não quer perder o São João, a maior festa da cidade do Porto.

GNR, Clã, Trabalhadores do Comércio, Banda Sinfónica Portuguesa e Marta Ren são alguns dos concertos gratuitos espalhados pela cidade.

Andreia Reisinho Costa

Santo António já se acabou e, ao contrário do que diz a canção, o São Pedro ainda há de vir. As energias dos foliões concentram-se esta sexta-feira no São João, sobretudo em cidades como Braga, Almada, Angra do Heroísmo e, claro, no Porto. A Invicta dedica um mês de programação cultural ao santo que nem sequer é o padroeiro da cidade. Mas é em honra dele que se faz a maior festa do ano.

E a maior festa do Porto faz-se com sardinhas. São elas as rainhas da gastronomia Sanjoanina e são muitos os restaurantes que instalam um braseiro à porta, da Ribeira à outra margem do Douro, em Gaia. No Guindalense, como sempre, haverá sardinhas e uma das melhores vistas para quem quer ver o fogo-de-artifício, à meia noite. O que não há desde o ano passado são reservas, o que significa que os interessados devem tentar a sorte no próprio dia. O responsável explica que não haverá lugares sentados, para que o pequeno espaço consiga acolher mais gente, mas garante que haverá música ao vivo, para um bailarico como deve ser.

Sardinhas e uma vista privilegiada para o fogo-de-artifício tem também o Portobello Rooftop Restaurant & Bar, na Batalha. O restaurante panorâmico, situado dentro do Hotel Premium, preparou um menu que inclui, para além das sardinhas, um caldo verde com chouriço crocante, uma tarte de mousse de chocolate com morangos frescos, vinho branco e tinto para brindar e o café no final. O preço é de 30€ por pessoa.

No São João passado, até António Costa passou pela esplanada d’O Guindalense. © Pedro Granadeiro / Global Imagens

Já o menu do restaurante Raiz, com os seus cinco andares e vista para a Torre dos Clerigos, custa 22€. Em ambiente mais descontraído vão servir-se sardinhas assadas com batata cozida e salada de pimentos (ou febras na brasa para os mais carnívoros), caldo verde e vinho ou sangria.

Na sexta-feira, o jardim privado da Guest House Porta Azul, junto ao Palácio de Cristal, vai estar aberto para quem quiser comer sardinhas assadas com broa, febras de porco assadas no pão, saladas, pimentos assados e caldo verde com chouriço, assim como várias sobremesas e bebidas. O acesso a este menu custa 20€ e a animação fica por conta de um DJ.

A pensar nos foliões que não comem sardinhas nem febras, o partido Pessoas Animais Natureza (PAN) organiza o São João Vegetariano. A partir das 19h, projetos como a associação Cor de Tangerina, os Crepes Vegan Com Chocolate, Pitéu Verde, Cozinhar Ideias e Associação Vegetariana Portuguesa juntam-se na Rua do Infante D. Henrique, junto à Igreja São Francisco, para fazer a festa.

Quem não conseguiu ficar a jantar num restaurante com vista desafogada pode sempre procurar outras soluções para assistir de camarote ao já tradicional espetáculo pirotécnico. Os mais tolerantes a multidões e apertos podem ir para a Ribeira ou para o Cais de Gaia, os melhores locais públicos para ver o fogo, a seguir aos barcos que estão no rio (todos esgotados por esta altura). A Sé do Porto vem em terceiro lugar nas escolhas, ideal para quem gosta de ver o espetáculo mais próximo das alturas.

Para além dos concertos na Avenida, são vários os arraiais espalhados pela cidade. © Miguel Nogueira / CMP

Parece que músicas como “O Melhor Dia Para Casar” ou “Baile de Verão” foram feitas a pensar nesta altura — “Despacito” também vai marcar presença este ano, quase de certeza. Em noite de São João, quem resiste a dançar ao som da chamada música pimba ou a entrar no comboio de gente que se forma assim que começa a tocar o acordeão de Quim Barreiros? E nem adianta fazer de conta que não sabe de cor os versos “Eu sou o mestre de culinária / E sei enfeitar a travessa”.

Há bairros que têm uma banda em palco a tocar estes e outros sucessos, com as Fontainhas à cabeça. Nos Arcos de Miragaia há sempre festa, assim como em Massarelos e no Largo de Nevogilde. Na Praça da Batalha, Manuel Almeida, ex-candidato à Câmara Municipal de Gaia, vai fazer um espetáculo de tributo aos Modern Talking, por exemplo. Quem se quer distanciar um pouco do centro tem na Rotunda da Boavista uma boa opção, com vários divertimentos para crianças.

O programa previsto para a Praça da Batalha. © Porto Lazer

Na Avenida dos Aliados, a música é outra. Logo na quinta-feira, 22 de junho, sobe ao palco a Banda Sinfónica Portuguesa, dirigida pelo Maestro Francisco Ferreira, para tocar temas populares da música portuguesa, como “Pronúncia do Norte”, dos GNR, ou “Chico Fininho”, de Rui Veloso.

Na noite mais longa do ano, a Banda Sinfónica vai dar o mesmo espetáculo na Casa da Música, também com entrada livre, Já pelo palco dos Aliados duas bandas da cidade: primeiro os Trabalhadores do Comércio, às 23h, e depois do fogo de artifício, os GNR com alguns convidados especiais.

No feriado de São João, a 24 de junho, a terceira e última noite dos Concertos na Avenida será ao som de duas vozes femininas, com Marta Ren & The Groovelvets, às 22h, e com os portuenses Clã, às 23h30.

Também não faltam DJs e concertos pelos bares e clubes do Porto. No jardim do Breyner85, por exemplo, o cardápio musical é feito de trance e techno, a partir das 00h de sexta-feira até ao raiar do sol. Com o Plano B fechado, as atenções viram-se para outros espaços conhecidos da cidade, como a discoteca Gare, que aposta em Tunisino Khalil, mais conhecido como Ossē, Jiggy, os habituais Freshkitos e Sepypes. O Hard Club vai receber um concerto dos brasileiros Ratos de Porão.

© Pedro Figueiredo / CMP

Há dois símbolos da noite de São João que se vão avistar em todo o lado. Um é o balão, que cada vez mais gente lança para o céu na esperança que suba bem alto. Dois dias antes, quarta-feira, às 22h, deveria acontecer a “Grande Largada de Balões” no Miradouro da Sé, organizada pelo município e pelo bar Maus Hábitos. No entanto, por respeito às vítimas dos incêndios de Pedrógão Grande, esta e outra largada coletiva de balões, agendada para domingo, 25 de junho, foram canceladas.

O outro símbolo é o martelinho, objeto que dá carta verde a toda a gente para bater na cabeça de desconhecidos até de madrugada. Quem não tem um não precisa de ir a correr comprar, pois vão estar à venda em cada esquina. Os interessados no trajeto clássico de batidelas podem partir dos Aliados e descer até à Ribeira. A partir da uma da manhã, é começar a caminhar em direção à Foz, como fazem milhares de resistentes. Pelo caminho há que contar com algumas marteladas na cabeça, barracas de farturas e música — há sempre bailarico no coreto do Passeio Alegre.

Por fim, e para recuperar da noitada, vale a pena ir ver a 34.ª Regata de Barcos Rabelos, as famosas embarcações portuguesas que transportavam as pipas de Vinho do Porto desde o Alto Douro Vinhateiro até Vila Nova de Gaia e Porto. Os barcos em competição partem do Cabedelo às 15h de sábado e a chegada da regata está prevista para junto da Ponte Luís I.

A regata de barcos Rabelos no rio Douro acontece sempre no dia 24 de junho. © Pedro Correia / Global Imagens

Se nenhuma destas sugestões enche as medidas, o melhor é consultar o programa completo das festas de São João. A boa notícia é que todas as linhas do Metro do Porto vão estar a funcionar 24 horas, sem interrupção, com exceção para a Linha Violeta (E). Martelos, balões e alhos-porros são bem-vindos nas carruagens.

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