“O Muro”

Dois soldados americanos, um “sniper” iraquiano, um muro, um cenário desértico. Doug Liman tirou folga das grandes produções que tem assinado nos últimos anos (“Jumper”, “No Limite do Amanhã”), e munido de um orçamento que cabe na cova de um dente, assinou, para os estúdios Amazon, este pequeno filme de guerra, que vai ficar como um dos mais minimalistas, anti-espectaculares e palavrosos da história do género. Os soldados (Aaron Taylor-Johnson e o “wrestler” John Cena), um deles seriamente ferido, ficam retidos pelo “sniper” invisível e com pontaria letal (Laith Nakli) que lhes intercepta as comunicações, fala surpreendentemente bem inglês e tem conhecimentos de cultura dos EUA. Entre eles, há apenas um precário muro de tijolos a servir de barreira a um e de protecção aos outros. “O Muro” começa por ser um curioso exercício de tensão dramática, crispação emocional e concentração cinematográfica,onde há mais troca de palavras do que de balázios, e o confronto é mais psicológico do que físico, mas a fita acaba por mostrar as costuras, tornando-se muito teatral e francamente entediante. E a verdade é que aquele muro está mesmo (demasiadamente) ali a calhar. Chama-se a isso forçar a verosimilhança.

“Políticos não se Confessam”

Este filme do italiano Roberto Andò (“Viva a Liberdade”) é um híbrido que ambiciona ser várias coisas ao mesmo tempo: “thriller” político-económico, parábola “espiritual”, panfleto de “denúncia” do capitalismo desenfreado e sem coração e filme de “mensagem” moralizante. Tudo se passa ao longo de um fim-de-semana, num hotel de luxo da costa alemã, rigorosamente vigiado, onde Daniel Roché (Daniel Auteuil), o presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI), tutela uma reunião de ministros das Finanças dos G8. Há também três representantes da sociedade civil: uma autora de “best-sellers” infantis, um músico e cantor célebre e cabotino, e Roberto Salus (Toni Servillo), um discreto e misterioso monge, convidado especial de Roché. Na dita reunião será tomada uma decisão de enorme importância e com um impacto muito severo na economia mundial, sobre a qual nem todos os ministros participantes estão de acordo. E o ambiente fica ainda mais incómodo e tenso quando, depois de se ter confessado ao monge, e revelar-lhe que tem um cancro, o presidente do FMI se suicida, asfixiando-se com um saco de plástico. “Políticos não se Confessam” foi escolhido pelo Observador como filme da semana, e pode ler a crítica aqui.