O vice-presidente da Samsung Eletronic e herdeiro do grupo sul-coreano foi condenado a uma pena de prisão de cinco anos por suborno Jay Y. Lee, neto do fundador do gigante da eletrónica, foi considerado culpado por um painel de três juízes do tribunal central de Seul das acusações de suborno, perjúrio e desfalque. A sentença foi conhecida esta sexta-feira. O gestor de 49 anos tem estado em prisão desde fevereiro, tendo reivindicado sempre a sua inocência ao longo do julgamento onde foram também condenados outros antigos gestores da empresa coreana.

Os procuradores pediam uma pena de prisão de 12 anos. Os seus advogados já comunicaram a intenção de recorrer, mas a sentença veio ensombrar o regresso de Lee aos comandos da empresa que disputa a liderança do mercado dos smartphones com a americana Apple. A Samsung já está a recuperar do fiasco que foi o lançamento no ano passado do explosivo modelo Note 7, com novos lançamentos e resultados recorde. Apesar de ser conhecida pelos telemóveis, a Samsung é um conglomerado industrial com mais de 60 participadas que está presente em áreas tão diversificadas como os estaleiros navais ou os seguros.

Lee, que seria o sucessor na liderança da Samsung, é mais um gestor coreano a ser condenado numa lista que inclui o seu próprio pai, Lee Kun-hee, atual presidente não executivo da empresa que foi sentenciado a uma pena suspensa de três anos de prisão por evasão fiscal e desvio de verbas da empresa.

O caso que envolveu ainda outros altos quadros da Samsung foi considerado o julgamento do século na Coreia do Sul, por revelar as relações perigosas entre a elite política e empresarial do país onde os conglomerados (grupos diversificados e transversais) dominam. Através da audição de centenas de horas de depoimentos, os procuradores procuraram estabelecer uma ligação entre o apoio dado por um fundo de pensões público a uma fusão entre filiais da Samsung e os pagamentos feitos a uma confidente da então presidente sul-coreana, Park Geun-Hye, que incluíram a oferta de um cavalo avaliado em 800 mil dólares (678 mil dólares) à filha do amigo do líder coreano.

Geun-Hye foi afastada do cargo no início deste ano, num processo de impeachment, por suspeitas de corrupção num caso que envolveu precisamente o gigante sul-coreano e a amiga.