A ginasta norte-americana Aly Raisman diz que sofreu abusos sexuais por parte do médico da equipa de ginástica dos EUA Larry Nassar. Numa entrevista ao programa 60 Minutes, da CBS, Raisman, de 23 anos, recordou os abusos que sofreu por parte do médico e mostrou-se “furiosa” com o facto de a cultura instalada no desporto ter permitido que os abusos continuassem.

Raisman venceu um total de seis medalhas olímpicas nos Jogos de 2012 e de 2016, e começou a ser acompanhada por Larry Nassar com 15 anos. “Porque é que estamos a olhar para porque é que as raparigas não falaram? Porque não olhar para a cultura? O que é que a equipa de ginástica dos EUA fez, e o que é que Larry Nassar fez, para manipular tanto estas raparigas que elas tiveram tanto medo de falar?”, questionou a ginasta.

“Preocupo-me muito, quando vejo raparigas novas que vêm ter comigo para pedir autógrafos ou fotografias, e cada vez que olho para elas e as vejo sorrir, penso que quero criar uma mudança para que elas nunca tenham de passar por isto”, disse ainda Raisman. A entrevista completa passa na CBS no próximo domingo.

Já em agosto, na sequência de outras denúncias na equipa, Raisman tinha dado o seu apoio às atletas que denunciaram abusos. “Temos de abordar esta questão. As raparigas deveriam sentir-se cómodas em chegar à equipa e dizer claramente: ‘Preciso de ajuda, quero terapia’. Parece que as pessoas ainda não se deram conta de que este senhor foi médico da equipa durante 29 anos. Tenha ou não feito algo a cada uma das ginastas, elas conhecem-no, sabem quem é. Para aquelas de quem não abusou, fica sempre o trauma e a ansiedade de pensar o que poderia ter acontecido”, afirmou Raisman.

Depois de Raisman ter referido essas atitudes por parte do médico, a ginasta McKayla Maroney também assumiu ter sofrido abusos sexuais. “Fui vítima de abusos pelo dr. Larry Nassar, o médico da equipa nacional de ginástica dos Estados Unidos e da equipa olímpica. O dr. Nassar disse-me que estava a receber ‘tratamento médico necessário que tinha vindo a fazer nos seus pacientes ao longo de 30 anos’. Começou quando tinha 13 anos, num dos meus primeiros campos de treino da equipa nacional, no Texas, e não terminou até deixar o desporto”, contou.

“Parecia que, quando e onde pudesse, o homem arranjava maneira de ser ‘tratada’. Aconteceu em Londres antes da minha equipa e eu ganharmos a medalha de ouro, aconteceu antes de ganhar a minha prata. Para mim, a noite mais assustadora da minha vida aconteceu quando tinha 15 anos. Voei com a equipa durante todo o dia e à noite para Tóquio. Ele deu-me comprimidos para dormir durante o voo e a coisa seguinte que me recordo é de estar sozinha no meu hotel a receber ‘tratamento’. Pensei que ia morrer nessa noite”, revelou a ginasta”, disse ainda a ginasta.