A ex-comissária europeia para a Coesão e Reformas Elisa Ferreira considerou esta terça-feira que Portugal se habituou “um bocadinho” aos fundos comunitários e que, agora, deve discutir os projetos e não o dinheiro.

“O mundo mudou, portanto, o dinheiro dos fundos tem de estar diretamente associado às políticas públicas de desenvolvimento e nós temos de passar a discutir as políticas e não o dinheiro porque tivemos muito dinheiro e eu ouvi em Portugal muita gente preocupada se íamos devolver dinheiro ou se não íamos devolver dinheiro”, disse a ex-ministra.

Na conferência “Coesão Territorial em Portugal e com a Europa”, organizada pela agência Lusa e pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, no Porto, Elisa Ferreira assinalou que o mundo atual quer que cada euro que cá chegue seja utilizado da forma mais eficaz.

O que significa acrescentar valor à economia, mais qualificação aos trabalhadores e aos empresários, portanto, dar saltos qualitativos, acrescentou.

O país já não está na fase de fazer as infraestruturas básicas, apesar de ainda precisar de algumas como, por exemplo, de desenvolver a linha ferroviária que ainda está “muito atrasada”, assinalou.

Elisa Ferreira salientou que o foco deve ser, agora, as infraestruturas tecnológicas, de produtividade e de qualificação porque a União Europeia, neste momento, está confrontada com necessidades muito diferentes de se organizar para competir com a China e com os Estados Unidos.

“Se nós não nos organizarmos para sermos parte desse processo corremos o risco de fomentar um grande desequilíbrio nestas novas agendas entre os polos que já são desenvolvidos na Europa e onde, de facto, no imediato há mais condições para situar todos esses projetos estratégicos”, frisou.

Em sua opinião, Portugal não pode remeter-se para uma posição de rotina e de periferia, mas tem de discutir seriamente o que é que quer fazer, como é que quer fazer, consensualizar e preparar os projetos.

O país, que se habituou “um bocadinho” aos fundos europeus, tem de ser ativo e construtivo porque a Europa não é em Bruxelas, a Europa faz-se aqui todos os dias, concluiu.