A poucas semanas do final de mandato, a administração da EDP prepara-se para algumas mudanças. A começar pelo ‘chairman’, Eduardo Catroga, que já não deverá continuar no próximo ano, noticia o Eco, citando fontes próximas dos acionistas. Entre os nomes falados para substituírem o histórico gestor do grupo elétrico — que já soma quatro mandatos consecutivos — estão Luís Amado (ex-ministro e atual vice-presidente do Conselho Geral e de Supervisão) e Diogo Lacerda Machado (advogado, antigo membro do conselho geral da EDP, que se sabe ser muito próximo dos chineses e amigo do primeiro-ministro António Costa), avança o mesmo jornal.

A decisão de afastar Catroga da presidência do grupo EDP deriva de uma diretiva comunitária de 2015 que obriga empresas com um modelo de governação dualista (com um conselho geral e um conselho de administração executiva) a terem um presidente independente dos acionistas. Como o atual ‘chairman’ já cumpriu quatro mandatos na administração, dois deles como presidente executivo, perdeu esse estatuto de independente e não poderá manter-se.

Ainda assim, explica o Eco, Catroga terá pedido um parecer a uma sociedade de advogados para confirmar se teria mesmo de abandonar a administração ou se haveria condições para ficar. E o certo é que, mesmo que a nova legislação o obrigue a deixar a cadeira de ‘chairman, o antigo ministro das Finanças poderá manter-se na estrutura do grupo, com novas funções – uma possibilidade é ficar como representante do acionista chinês, a empresa China Three Gorges, que já representa.

A continuidade de António Mexia é que se mantém uma incógnita. Os acionistas chineses têm defendido publicamente o gestor, afirmando que estão “satisfeitos” com o seu trabalho, mas não se comprometeram ainda com a sua permanência. Também Mexia não se manifestou ainda sobre a sua vontade de ficar ou sair do grupo – um cenário que também não tem sido consensual dentro do grupo de energia e de fontes próximas dos acionistas.