“Sou o melhor jogador da história.” A frase, dita por Cristiano Ronaldo, surge na capa da revista France Football que, na sexta-feira, lhe atribuiu a quinta Bola de Ouro da sua carreira. Na longa entrevista que deu à publicação francesa, o jogador português falou da dedicação e do empenho que é preciso ter para se ser o melhor do mundo, da rivalidade com Messi, que nunca pensou conseguir ultrapassar, do talento do filho mais velho e até das notícias que falam numa possível saída do Real de Madrid.

[Veja no vídeo 5 momentos marcantes da entrega da 5ª. Bola de Ouro]

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“Desde dos 14 ou 15 anos sabia que era especial, diferente dos outros rapazes porque fazia coisas diferentes. Quando estava no Manchester United, onde comecei a jogar com jogadores incríveis como Robbie Keane, Ferdinand ou Van Nistelrooy, dei conta do talento que tinha e de que poderia ganhar a Bola de Ouro”, começou por dizer, citado pelo AS. “Esse foi o meu primeiro ano ali. Ferguson foi incrível comigo. Foi o meu pai no futebol, ensinou-me muitas coisas, a ser profissional e a entregar-me. Nesse momento não sabia o que fazer: tinha talento, mas não sabia quando devia passar a bola ou fazer uma finta… Foi duro comigo, mas ajudou-me muito.”

Admitindo que nunca esperava apanhar Messi, Cristiano Ronaldo garantiu que é “o melhor jogador na história, nos bons e nos maus momentos”. “Respeito as preferências de todas as pessoas, mas não vejo ninguém melhor do que eu”, afirmou o jogador, que arrebatou o troféu com 946 pontos, igualando o número de conquistas de Lionel Messi, que ficou no segundo lugar, seguido de Neymar. “Não pensava que ia igualar o Messi porque, depois de ele ter acumulado quatro Bolas de Ouro, pensei que seria complicado, mas as coisas mudaram. O futebol dá te a oportunidade de continuar a trabalhar e de ter a ambição de querer ganhar”, confessou.

À France Football, Ronaldo salientou ainda das características que fazem com que se destaque dos outros jogadores, como por exemplo o facto de conseguir jogar com os dois pés, ser rápido, forte e bom no jogo de cabeça. “Não é só o trabalho de ginásio, como pensam alguns. É um conjunto de coisas”, afirmou, garantindo que “nenhum futebolista faz o que eu sou capaz e eu faço coisas que os outros não podem fazer”. “Não há nenhum jogador mais completo do que eu. As pessoas podem preferir o Messi ou o Neymar, mas nenhum é mais completo do que eu.”

Em relação à forma como lida com as críticas de que é alvo, disse que é preciso “ser inteligente” e “aceitar certas coisas que acontecem”. “Quando cometes um pequeno erro, há sempre muita gente que fala, mas o importante é ter gente leal do nosso lado.”

“Mudar-me para o PSG? Não, estou feliz no Real Madrid”

Questionado sobre uma possível mudança para o Paris Saint-Germain F.C. e sobre sobre uma alegada vontade de querer deixar o Real de Madrid, Cristiano Ronaldo disse que queria ficar onde estava, “se assim for possível”. “Mudar-me para o PSG? Não, estou feliz no Real Madrid. Quero ficar aqui, se assim for possível. Gostava de acabar a minha carreira em Madrid…. Jogo num clube que me dá a oportunidade de ganhar troféus coletivos, que é mais importante do que ganhar prémios individuais. Estou no Real com muito gosto e assim vou ficar. Tenho mais cinco anos, o futuro não se sabe, mas estou muito bem no Real Madrid.”

Antevendo a edição de 2018 do troféu, Ronaldo encontrou dificuldades em encontrar um favorito, por considerar fundamental o campeonato do mundo, a disputar na Rússia. O avançado apelou ainda aos adeptos que confiem no seu valor, para superar o momento de forma menos positivo.”A adversidade faz com que trabalhes mais. A amnésia [dos adeptos] incomoda-me. O futebol é feito de ciclos. Quando as coisas não nos correm bem, os adeptos têm de nos ajudar. Ganhámos três Ligas dos Campeões em quatro, não é algo fácil. Há momentos em que as coisas não correm tão bem, que acertas no poste da baliza, que o guarda-redes defende o teu remate… Mas peço às pessoas que tenham confiança”, concluiu.

Sobre o gosto do filho mais velho, Cristianinho, por futebol, Ronaldo admitiu que via algo de si nele. “Não apenas por ser meu filho. Vejo muitas coisas especiais neste miúdo, ainda que não goste de o dizer em frente dele…”, disse. “Tem uma personalidade própria muito forte. Disse-me que vai ganhar uma Bola de Ouro. Vou estar muito orgulhoso se conseguir ser um futebolista. Ganhar a Bola de Ouro é muito difícil.”

Ronaldo, que conquistou em 2017 a Liga dos Campeões, a liga espanhola, a Supertaça europeia e a Supertaça espanhola pelo Real Madrid, igualou os cinco troféus de Messi (2009 a 2012 e 2015). O capitão da seleção portuguesa, que recebeu o troféu numa cerimónia realizada na Torre Eiffel, em Paris, já tinha arrebatado a Bola de Ouro em 2008, 2013, 2014 e 2016, nas edições intermédias num prémio entregue conjuntamente pela France Football e a FIFA.

Artigo atualizado às 14h40 com outras declarações de Cristiano Ronaldo à revista France Football