Redes Sociais

Ex-Facebook: “As redes sociais estão a destruir a sociedade”

17.025

Chamath Palihapitiya teve alto cargo no Facebook, na área da expansão de utilizadores, e hoje sente uma "culpa tremenda" por ter criado uma máquina que "explora vulnerabilidades na psique humana".

Stanford Graduate School of Business

As redes sociais estão a “destruir as bases da sociedade” e estão a “programar” o cérebro dos cidadãos de uma forma que “elimina o discurso civil e a cooperação, fomentando a desinformação e a mentira”. Esta é a análise de Chamath Palihapitiya, que foi vice-presidente do Facebook para a área da expansão de utilizadores e que hoje vive com uma “culpa tremenda” e garante que, no que diz respeito a redes sociais, não usa essa “m…”, não deixa os filhos usarem e recomenda que todos os que usam façam uma “pausa a sério“.

“Vocês têm de refletir, fazer uma introspeção” sobre a forma como se utilizam as redes sociais, recomendou Chamath Palihapitiya. “Os vossos comportamentos, vocês não se apercebem mas estão a ser programados”, avisou, referindo-se aos “efeitos de curto prazo, de libertação de dopamina que está na origem de ciclos que estão a destruir a forma como a sociedade funciona”.

A mensagem foi transmitida no mês passado, numa conferência da Stanford Graduate School of Business, mas foi noticiada segunda-feira pelo The Verge. Palihapitiya, que foi trabalhar para o Facebook em 2007 e chegou a um cargo de topo na empresa, explicou que sente uma “culpa tremenda” por ter criado uma máquina que “explora vulnerabilidades na psique humana”.

Gerimos as nossas vidas em torno de um sentido percecionado de perfeição porque somos recompensados com sinais de curto prazo — likes, polegares para cima, corações — e misturamos isso com o valor, com a verdade. Na realidade, tudo isso é falso, uma popularidade momentânea que vos levam a querer ainda mais — admitam-no — e, depois, que vos deixa a sentirem-se ainda mais vazios do que estavam antes. O que vos leva a viver de acordo com o raciocínio: o que é que eu preciso de fazer a seguir para voltar a sentir o mesmo?”

A pergunta original era sobre os anúncios russos ligados à campanha eleitoral, mas o ex-vice do Facebook salientou que o problema é muito maior do que isso — e é “global”. Quais os riscos? Palihapitiya deu um exemplo que se passou na Índia em que sete pessoas foram mortas — linchadas, na realidade — por ter havido um conjunto de mensagens falsas no Whatsapp (detido pelo Facebook) que fizeram várias pessoas acreditarem que um grupo de visitantes eram raptores de crianças.

Se levarmos estes casos “ao extremo”, podemos “imaginar que pode haver um conjunto de maus atores que têm agora uma ferramenta para manipular grandes grupos de pessoas para fazerem aquilo que tu queres. É um estado de coisas muito, muito perigoso”.

Palihapitya tinha responsabilidades na área do crescimento da base de utilizadores, que hoje supera as dois mil milhões de pessoas em todo o mundo (no caso do Facebook). Não é o primeiro ex-responsável a falar sobre a forma como as redes sociais cativam novos e atuais utilizadores: Sean Parker, um dos fundadores, admitiu recentemente que o conceito do Facebook sempre foi, desde o início, explorar a psique humana.

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