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O triunfo da anarquia sobre a democracia (a crónica do Sporting em Tondela, onde se fala apenas de futebol)

Este artigo tem mais de 3 anos

Do nada, o Sporting ganhou em Tondela (2-1). E do nada porque, em cima dos 90+8', Coates foi lá à frente "limpar" a expulsão de Mathieu (60'): foi a partir da anarquia que os leões se superaram.

A celebração de Coates após o golo marcado em cima do final dos descontos concedidos por João Capela
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A celebração de Coates após o golo marcado em cima do final dos descontos concedidos por João Capela

AFP/Getty Images

A celebração de Coates após o golo marcado em cima do final dos descontos concedidos por João Capela

AFP/Getty Images

O Sporting jogou esta segunda-feira em Tondela. E ganhou, reduzido a dez unidades, quando o cronómetro estava a passar do oitavo para o nono minuto de descontos. No final da partida, José Sá, treinador adjunto dos beirões, aconselhou a Liga a fazer um Campeonato para os três grandes e outro para as restantes equipas. Mas começou a flash interview de outra forma: “Sabem porque estou aqui a falar? Porque o Sporting já marcou…”.

No dia 6 de janeiro, Bruno de Carvalho, presidente do Sporting, anunciou que já tomara uma decisão em relação ao seu futuro (que seria divulgada nesse mesmo dia em conferência, horas depois) e deixou mais uma crítica interna: “Mesmo em democracia, não vale tudo. A partir desse momento, deixa de ser democracia para passar a ser uma anarquia”; no dia 17, após ser legitimado por cerca de 6.000 sócios com 90% (que representam esses mesmo 6.000 associados e não o universo verde e branco no geral), o líder leonino desafiou de novo o sistema, da forma que é conhecida por todos e não vale a pena ser repisada. Porque entre o triunfo da democracia ou da anarquia, a distância pode ser apenas um golo. E o encontro que fechou a 23.ª jornada mostrou isso mesmo.

Recuperamos o que se passou antes e depois da última assembleia geral dos leões porque, mesmo falando-se apenas de futebol, essa é a imagem que melhor explica o porquê do triunfo do Sporting em Tondela: com menos um jogador desde os 60 minutos, por expulsão inexplicável de um central com a experiência de Mathieu, os leões, que até jogaram bem quando estavam democraticamente distribuídos em campo na primeira parte (no plano ofensivo, entre falhas nas transições defensivas), só ganharam porque a certa altura deixaram de ter sistema e viram Coates corrigir o erro do companheiro de defesa na pequena área quando reinava a completa anarquia tática.

Sobre o momento, esse, as opiniões podem divergir. Mas, mesmo considerando o tempo de assistência a um jogador dos beirões nos descontos, parece ter sido claramente tempo excessivo para as paragens no jogo. Ou, noutra perspetiva, um enorme precedente para o que pode estar a chegar à Primeira Liga nas próximas jornadas.

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Ficha de jogo

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Tondela-Sporting, 1-2

23.ª jornada da Primeira Liga

Estádio João Cardoso, em Tondela

Árbitro: João Capela (AF Lisboa)

Tondela: Cláudio Ramos; David Bruno, Ricardo Costa, Jorge Fernandes, Joãozinho; Bruno Monteiro, Hélder Tavares; Tyler Boyd (Juan Delgado, 74′), Pedro Nuno (Joca, 63′), Miguel Cardoso (Murilo, 63′) e Tomané

Suplentes não utilizados: Ricardo Moura, Ansell, Claude Gonçalves e Heliardo

Treinador: Pepa

Sporting: Rui Patrício; Piccini, Coates, Mathieu, Bruno César (Rúben Ribeiro, 59′); William Carvalho, Bruno Fernandes; Gelson Martins, Acuña, Montero (Doumbia, 46′) e Bas Dost

Suplentes não utilizados: Salin, André Pinto, Battaglia, Wendel e Bryan Ruiz

Treinador: Jorge Jesus

Golos: Miguel Cardoso (13′), Bas Dost (26′) e Coates (90+9′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Ricardo Costa (27′), Miguel Cardoso (36′), Bruno César (38′), Mathieu (53′ e 60′), Pedro Nuno (60′), Jorge Fernandes (65′), Murilo (66′); cartão vermelho a Mathieu (60′) e Murilo (90+10′)

Os leões tiveram um início de jogo “preso”, com mais bola mas menos capacidade de explorar o espaço em terrenos adiantados. Não é que o Tondela tenha criado perigo por aí além, longe disso, mas percebia-se, até por uma zona de pressão mais adiantada que Tomané tinha feito quase com sucesso logo no arranque da partida, que os beirões na sua versão “hardcore de pé na chapa” conseguiam alargar-se em campo com maior facilidade, sempre com Pedro Nuno como principal cérebro das ações ofensivas. E seria dos pés dele que começaria o primeiro golo.

Com um toque fantástico aproveitando uma tentativa de pressão que Piccini se preparava para fazer, o médio que passou por Naval, Benfica e Académica na formação (e que, acrescente-se, é bom de bola) conseguiu desposicionar por completo a defesa do Sporting, Tomané foi galgando terreno até assistir para a diagonal de Miguel Cardoso e o remate do extremo, ainda desviado na perna de Mathieu, a passar por cima da “mancha” de Rui Patrício. Ao 13.º minuto do 13.º jogo contra um grande, o português conseguiu finalmente fazer o gosto ao pé.

A transição defensiva do Sporting estava a falhar e de que maneira (aos 23′ os leões não tinham feito ainda uma única falta, acabando a primeira parte com três infrações e um amarelo a Bruno César), mas a ofensiva, bem como o ataque planeado, melhorou com o passar dos minutos e com um posicionamento mais interior de Gelson Martins em terrenos interiores (um pouco a fazer lembrar João Mário antes da saída para o Inter). Aos 19′, na primeira ameaça à baliza dos beirões, Cláudio Ramos travou o remate do extremo; aos 26′, nada conseguiu fazer perante Bas Dost, que só teve de encostar de cabeça na pequena área após um grande cruzamento de Acuña da esquerda.

O jogo estava bom, aberto, com qualidade de passe e nas transições. Aos 27′, pouco depois do golo, Gelson Martins voltou a fazer das suas e foi travado em falta quando podia seguir com muito perigo para a área do Tondela. E havia mais Sporting, em posse mas não em termos territoriais. No entanto, a grande oportunidade pós-golos voltou a ser dos beirões, com Tyler Boyd a aproveitar um desvio de Tomané na sequência de um livre na zona do meio-campo, a preparar o remate e a obrigar Rui Patrício à primeira grande intervenção da noite (32′).

Os buracos verde e brancos na transição eram notórios, num desequilíbrio pouco normal neste Sporting da presente época, mas quando a pressão em zonas mais altas funcionava, os beirões tinham dificuldade em travar as iniciativas leoninas, que foram apertando o cerco até acabarem o primeiro tempo com duas oportunidades flagrantes: primeiro foi Bruno Fernandes, de pé esquerdo, a fazer brilhar Cláudio Ramos com um remate de fora da área; depois foi Mathieu, que aproveitou o seguimento de uma bola parada para, de cabeça, atirar a rasar a trave.

Ao intervalo, Jorge Jesus voltou a mexer. Outra vez, mais uma vez. Seja pelo excesso de alternativas em algumas posições, seja pelos retoques táticos, o Sporting é uma equipa que continua a mexer em demasia no descanso, quase que assumindo uma estratégia inicial falhada que necessita ser corrigida. Em Tondela, saiu Montero, que andou sempre demasiado apagado e às vezes a partilhar os mesmos terrenos de Bruno Fernandes, entrou Doumbia, para jogar mais em cunha. O resultado prático da mexida, pura e simplesmente, não se viu.

Mesmo baixando um pouco a intensidade e a velocidade nas transições, foram os visitantes a terem os únicos lances de algum ruído junto às duas áreas, quase sempre de bola parada (cantos, livres laterais ou mesmo lançamentos). Numa dessas jogadas, Ricardo Costa, escondido ao segundo poste, chegou tarde e desviou muito por cima da trave. Foi uma lance de matreirice de um defesa batido e com centenas de jogos. Mas, por vezes, isso também pode não contar nada: Mathieu, com um cartão amarelo visto sete minutos antes, foi protestar com Pedro Nuno uma entrada mais dura sobre Rúben Ribeiro, exagerou na forma como o fez e foi expulso por acumulação (60′).

Se estava difícil com 11, pior ficou com dez para o Sporting, que teve de recuar William Carvalho para falso central e deixar todo o meio-campo para Bruno Fernandes (com os movimentos interiores de Gelson Martins e Rúben Ribeiro de quando em vez). Mas, mesmo sozinho, foi dos pés do médio que saiu o primeiro remate enquadrado com a baliza de Cláudio Ramos, para defesa fácil, quando faltavam 12 minutos para o final da partida.

Reinava a anarquia tática. Coates já estava na frente para as bolas paradas e por lá ficava, os leões tentavam colocar na área na ânsia de um lance pelo ar e foi assim que teve a última oportunidade no primeiro minuto de descontos, com o central uruguaio a desviar em balão um cruzamento da direita de Gelson Martins para defesa vistosa (e difícil) de Cláudio Ramos para canto. Mas os minutos passavam e o 1-1 parecia o desfecho final.

A certa altura, durante os quatro minutos de descontos, Bruno Monteiro caiu, teve de ser assistido e saiu das quatro linhas. E o jogo ia continuando, continuando. 90+5′, 90+6′, 90+7′, 90+8′, apito de João Capela. Para o final? Não, para o golo decisivo do Sporting: bola bombeada por William Carvalho para a área, desvio de Bas Dost, corte de Ricardo Costa para o poste e recarga de Coates para o golo quando estava a queimar o nono minuto de descontos (inicialmente a Liga atribuiu 90+9′ mas passou depois para 90+8′). Estava consumada a reviravolta.

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