Educação

Governo quer perceber o que está mal no ensino da Matemática: “É preciso agir o mais depressa possível”

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Vai ser constituído um grupo de trabalho para olhar para os programas de Matemática. Um dos objetivos é perceber o que é essencial que todos aprendam. João Costa quer "agir o mais depressa possível".

Ministro da Educação (à direita) esteve no Parlamento com os seus dois secretários de Estado

JOÃO RELVAS/LUSA

O governo quer perceber o que vai mal no ensino de Matemática e o que motiva, ano após ano, os maus resultados dos alunos. Por isso, vai criar um grupo de trabalho para tentar chegar a uma conclusão. O anúncio foi feito esta manhã na Comissão de Educação e Ciência, durante a audiência regimental do ministro Tiago Brandão Rodrigues, pela voz do seu secretário de Estado João Costa.

“O que é que está a falhar com o ensino da Matemática?” A interrogação feita pelo secretário de Estado de Educação é a primeira de muitas a que o governo pretende dar resposta com a criação deste grupo. “Sabemos que o problema passa pelos programas e que ano após ano o cenário se repete”, argumentou João Costa, referindo que os últimos dados divulgados sobre notas de Matemática mostram que o panorama é negro.

O secretário de Estado referia-se ao relatório divulgado este mês pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) e que mostra que um terço dos alunos entra no secundário com negativa a Matemática. O mesmo relatório identifica esta disciplina como sendo aquela em que os alunos do 7, 8 e 9.º ano têm pior desempenho. Por outro lado, quem reprova a Matemática dificilmente recupera nos anos seguintes, mostram os mesmos dados da DGEEC.

Quando olhamos para os dados desagregados, o cenário ainda é pior. Em escolas em que temos taxas de reprovação de 35% elas sobem para os 50% quando olhamos apenas para o escalão da ação social”, diz o secretário de Estado.

Aliás, João Costa sublinhou a preocupação da atual equipa ministerial em combater os efeitos negativos da pobreza, voltando a lembrar que a pobreza é o fator com mais impacto no sucesso académicos dos alunos.

Por isso mesmo, e na mesma comissão, a secretária de Estado Adjunta, Alexandra Leitão, — que também acompanhou o ministro na audiência — anunciou que os alunos carenciados vão ter prioridade na escolha da escola.

Quanto à Matemática, João Costa diz que o ministério sabe que um dos problemas são os programas mas o rol de fatores não se encerra aí. “Sabemos, por exemplo, que houve uma antecipação de conteúdos e sabemos que estão a ser dados conteúdos aos alunos do 3.º ano que antes eram dados aos alunos do 5.º ano. E os alunos não estão preparados para isto”, refere o governante.

Para conseguir chegar a uma conclusão, João Costa acredita que também serão importantes os relatórios das provas de aferição, já que uma vez desagregados os resultados é possível perceber em que áreas da Matemática os alunos têm mais dificuldade.

“É preciso agir o mais depressa possível. É preciso constituir uma equipa para olhar para os programas e é preciso perceber porque o problema da Matemática persiste”, concluiu João Costa.

Para já, o grupo de trabalho ainda não é uma realidade. O secretário de Estado está ainda na fase de convites, não se comprometendo com uma data para a sua constituição.

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