Anda a circular na internet uma imagem que parece desaparecer mesmo perante os seus olhos caso a fique a mirar por 30 segundos no máximo. A imagem mostra umas nuvens de várias cores, mas se o observador se concentrar num ponto e o fixar durante uns meros 30 segundos, a imagem dará lugar a um fundo branco ou acinzentado que só desaparece caso pisque os olhos.

O melhor mesmo é testar a ilusão ótica utilizando a publicação que David McPhillips, que se apresenta no Twitter como especialista em saúde ocular, colocou o mês passado na internet e que já foi replicada noutras contas.

Claro que a figura nunca desapareceu realmente e o facto de estar em formato jpeg prova que não pode ser uma imagem em movimento porque não está em “formato para intercâmbio de gráficos” — tradução portuguesa para os famosos GIF, um acrónimo que vem do inglês “Graphics Interchange Format. Tudo o que justifica esta ilusão ótica está guardado no nosso cérebro, que “varre” o que não é importante e mantém o que é essencial para interpretar o que os olhos estão a ver. Esse truque cerebral chama-se “efeito Troxler” porque foi descoberto pelo suíço Ignaz Troxler, que criou esta ilusão como forma de hipnotizar o público.

Isto mesmo é o que David McPhillips explica na publicação que fez no Twitter. O efeito Troxler  acontece porque o cérebro é obrigado a processar milhares de sensações a que estamos constantemente expostos: é o processo seletivo. Para simplificar o trabalho que têm, os nossos neurónios aprenderam a ignorar o que é menos importante ou estranho para que nos possamos concentrar no essencial.

Esta particularidade do cérebro foi trabalhada por Ignaz Troxler durante o século XIX. Embora fosse médico, político e filósofo, a carreira que o tornou mais famoso foi a de inventar ilusões óticas que deixassem as pessoas confusas. Tal como ele percebeu, o cérebro preenche a informação que despreza com um campo branco ou cinzento. Isto acontece muitas vezes no nosso quotidiano, mas é possível que não nos apercebamos porque raramente fixamos algo tempo suficiente para tal.

Há várias variações desta ilusão ótica, mas a mais famosa é provavelmente o efeito “Bloody Mary”, segundo o qual se repetirmos o nome “Bloody Mary” sete vezes enquanto fixamos o nosso rosto no espelho a cara de um demónio aparece no lugar do nosso reflexo (experimente, mas olhe que pode ser assutador, há quem pense tratar-se de um fantasma antepassado).

Em 2010, um estudo publicado na revista científica Perception dizia que 66% das pessoas que fixaram o rosto à frente de um espelho num quarto com pouca luz disse ver grandes deformações faciais. Houve ainda 28% de voluntários que disse ter visto uma pessoa desconhecida atrás dela e 48% jura ter visto demónios ou criaturas estranhas ao lado do reflexo. Mas o mais provável é que todas essas leituras sejam o efeito Troxler a falar mais alto.