O Comité Nobel da Literatura não tem, neste momento, membros suficientes para eleger o vencedor do Nobel da Literatura deste ano, depois das saídas de Katarina Frostenson e de Sara Danius. Katarina Frostenson sai numa altura em que a Academia se vê envolvida num caso de abusos sexuais que tem o seu marido como protagonista. Na quinta-feira, a líder do Comité — Sara Danius — também se demitiu, reconhecendo que o processo não foi gerido da melhor maneira.

O marido de Katarina Frostenson, Jean-Claude Arnault, dramaturgo e fotógrafo francês, é acusado de abusos sexuais por 18 mulheres, alguns deles cometidos em espaços ligados à Academia Sueca. Há, ainda, suspeitas de irregularidades no financiamento do clube literário Forum, ligado à Academia Sueca por ser dirigido por Jean-Claude Arnault.

Tudo isto levou a uma quebra de confiança em Katarina Frostenson e a Academia submeteu mesmo a votação a possibilidade de condenar a conduta de Frostenson. No entanto, a proposta foi chumbada e outros três académicos — Klas Östergren, Kjell Espmark e Peter Englund — demitiram-se em protesto na passada sexta-feira.

Num comunicado enviado à imprensa sueca, Kjell Espmark acusou os membros que votaram contra a proposta por “porem a amizade acima da responsabilidade e da integridade.” Mas agora, e como foi confirmado pelo diretor da Academia, Anders Olsson, “quem apoiava Katarina Frostenson recuou e ela aceitou deixar o cargo”.

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A acompanhar a saída de Frostenson está a secretária permanente do Comité, Sara Danius. Anders Olsson, disse que ainda não foi discutido quem será o sucessor. A secretária também falou à imprensa, dizendo que “é vontade da Academia” ela deixar o cargo de secretária permanente. “Gostava de continuar, mas há outras coisas para fazer na vida”, acrescentou.

Com estas saídas, o Comité Nobel da Literatura vê-se reduzido a 11 membros, quando para eleger o vencedor é necessário um mínimo de 13 elementos. Fontes da Academia disseram ao El País que, apesar da situação que se verifica neste momento, a atribuição do prémio não está em risco, por ainda faltar muito tempo para o seu anúncio, em outubro.