O Congresso norte-americano estudou a possibilidade de instalar um centro de processamento de informação da Agência Nacional de Segurança (NSA) na Base das Lajes, na ilha Terceira, Açores. Mas a hipótese foi por água abaixo porque nem a NSA nem a CIA acreditaram que as secretas portuguesas fossem capazes de lidar com dados confidenciais norte-americanos. A notícia, contada pelo jornal Público, foi inicialmente revelada pelo New York Times, a propósito de um trabalho sobre o congressista luso-descendente Devin Nunes, intitulado “Como Devin Nunes virou a Comissão dos Serviços Secretos do avesso”.

De acordo com o Público, a hipótese chegou mesmo a ser discutida em Lisboa, no Ministério dos Negócios Estrangeiros do anterior Governo do PSD/CDS, que não se opôs. Mas não avançaria. O extenso artigo do New York Times dedicado ao congressista republicano descendente de açorianos, que é um dos principais aliados de Donald Trump no Congresso, dá conta da “obsessão de Nunes pelos Açores”, e das várias tentativas que fez, enquanto membro da Comissão de Serviços Secretos da Câmara dos Representantes, para contrariar o desinvestimento norte-americano nas Lajes.

Depois de várias ideias para as Lajes, nunca consideradas válidas pelo Pentágono, uma das últimas foi a ideia de colocar ali um centro de vigilância da NSA. “Foram apresentadas várias opções durante os contactos que mantivemos e essa foi uma delas”, confirmou ao Público fonte do MNE do tempo do Governo de Pedro Passos Coelho. A ideia só não foi para a frente porque os serviços secretos norte-americanos colocaram diversos entraves, nomeadamente ao facto de Portugal não fazer parte do grupo de cinco países que têm acordos de partilha de informação sensível (Austrália, Grã-Bretanha, Canadá, Nova Zelândia e Estados Unidos).

Na altura em que a ideia de Devin Nunes foi anunciada, já as denúncias de Edward Snowden sobre o programa de vigilância global conduzido pela NSA tinham abalado a confiança daquela agência de segurança.