A Cambridge Analytica, a empresa por detrás do escândalo sobre a quebra de privacidade dos perfis do Facebook durante as últimas eleições norte-americanas a favor de Donald Trump, vai encerrar todos os escritórios nos Estados Unidos da América. A notícia foi avançada depois de Julian Wheatland, o presidente do SCL Group (a que pertence a empresa e que também vai fechar) ter pedido aos trabalhadores dos escritórios norte-americanos para entregarem imediatamente os cartões-chave que dão acesso aos edifícios. Mas ninguém sabe o que vai acontecer aos escritórios que a Cambridge Analytica tem pelo mundo inteiro.

Ao Observador, o Facebook recusou-se a comentar a decisão de encerrar a Cambridge Analytica e o grupo a que pertence, o SCL Group: “Não comentamos porque estão a decorrer várias investigações governamentais”, disse um responsável da rede social durante a F8, a conferência anual do Facebook.

De acordo com o que está a avançar a Gizmodo e o The Wall Street Journal, desde terça-feira de manhã que Julian Wheatland — que chegou a ser apontado como um possível sucessor de Alexander Taylor no cargo de presidente executivo da Cambridge Analytica — tem adiado uma reunião com os funcionários da empresa. Ao fim de seis adiamentos, o presidente do SCL Group anunciou o fim da empresa nos Estados Unidos e terá dito no encontro esta quarta-feira que a ideia de tentar um rebranding da Cambridge Analytica seria “fútil”.

Entretanto, a Cambridge Analytica confirmou aos funcionários que a decisão de encerrar os escritórios nos Estados Unidos justifica-se com a investigação sobre a utilização de páginas pessoais do Facebook para apoiar a candidatura de Donald Trump à presidência do país. Julian Wheatland confirmou que o escândalo tinha danificado a imagem que a Cambridge Analytica tinha e que resultou numa perda de clientes para a marca. Estas notícias parecem não ter apanhado os funcionários de surpresa: de acordo com a Gizmodo, capturas de ecrã feitos ao chat interno da empresa mostram alguns trabalhadores a partilharem memes onde antecipavam o encerramento da empresa e músicas como “High and Dry” dos Radiohead, “The End” dos The Doors ou “Help!” dos The Beatles.

Em meados do mês passado, o The Observer e o The New York Times revelaram que a empresa britânica utilizou os dados de 87 milhões de utilizadores do Facebook para prever qual seria o sentido de votos na eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2016. À Cambridge Analytica terá cabido o papel de manipular o eleitorado com mensagens personalizadas de acordo com as informações recolhidas a partir do Facebook, o que representa um acesso não permitido às contas dos utilizadores. Desde então, o presidente executivo da Cambridge Analytica foi afastado e Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, prestou declarações ao Congresso americano.