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Os fármacos utilizados em aquacultura permanecem na água a não ser que sejam removidos. Há formas de o fazer, mas a equipa do Departamento de Química da Universidade de Aveiro apresenta uma forma mais barata: usar os resíduos que resultam da pasta de papel.

Os investigadores conseguiram converter as lamas que resultam desses resíduos num biocarvão. Este biocarvão é capaz de fixar na sua superfície moléculas que se encontrem nos fluídos, logo, vai funcionar como um íman e atrair e reter uma grande variedade de substâncias tóxicas, segundo o comunicado enviado às redações.

Além de servir para a descontaminar as águas, o uso das lamas dá uma nova vida a um produto que de outra forma iria para o aterro. Outra vantagem é que a descontaminação por este processo não origina produtos tóxicos, ao contrário de outras técnicas.

No âmbito do projecto RemPharm, os investigadores testaram resíduos agrícolas e industriais, produzidos em grande escala, para limpar a água em recirculação na aquacultura. As lamas resultantes da indústria da pasta de papel foram a matéria-prima que mostrou melhores resultados, pelo menos em relação aos anestésicos veterinários. Agora falta testar com outros contaminantes. “E mais trabalho deve ser feito no sentido de provar a viabilidade técnica e económica da aplicação deste tratamento”, dizem os investigadores em comunicado.

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