Woody Allen voltou a negar as acusações de abuso sexual de que é alvo, manifestou apoio ao #MeToo e disse que devia ser o rosto daquele que é um movimento internacional contra assédio e abusos sexuais de mulheres por parte de homens com carreiras poderosas.

É engraçado, eu devia ser o rosto do movimento #MeToo“, afirmou o realizador norte-americano durante uma entrevista ao programa de televisão argentino “Periodismo para Todos”. Disse também que é bom que se faça justiça acrescentando que, na sua perspetiva, expor “esses terríveis abusadores que fazem essas coisas terríveis” é algo bom.

“Ele mente há muito tempo.” Filha de Woody Allen fala pela primeira vez na TV sobre alegado abuso sexual

Depois das denúncias feitas em outubro contra Harvey Weinstein, o nome de Woody Allen voltou às luzes da ribalta. Acusado pela filha adotiva, Dylan Farrow, de a ter abusado quando tinha sete anos, Allen tem vindo a negar as acusações de que é alvo. Mas nem por isso deixa de falar no escândalo em que está envolvido há 26 anos.

É terrível, sinto-me mal porque me acusam de algo terrível que me magoa e magoa a minha família, algo que foi julgado há 25 anos, investigado por duas fontes diferentes e que se provou ser completamente falso”, contou.

Ao programa argentino falou ainda da longa carreira profissional e reforçou o facto de sempre ter valorizado as mulheres com quem trabalhou — deu emprego “a mais de 200 mulheres nas equipas que trabalhavam atrás das câmaras” e sempre lhes pagou “exatamente o mesmo salário que aos homens” — e de nunca ter sido alvo de denúncias por parte das mesmas.

Mas, sabem, eu devia ser o rosto do movimento #MeToo porque trabalho há 50 anos na indústria do cinema. Trabalhei com centenas de atrizes — grandes atrizes, atrizes famosas, algumas a começarem a carreira –, e nunca nenhuma sugeriu nenhum tipo de comportamento indecente.”

Hoje com 82 anos, o produtor de cinema explicou melhor aquilo que acha sobre o movimento que surgiu depois do escândalo de abusos em Hollywood: “O que me chateia é que estou associado a ele [ao movimento #MeToo]. Pessoas que foram acusadas por 20 mulheres, 50 mulheres, 100 mulheres de abusos e abusos e abusos. E eu, que só fui acusado por uma mulher, um caso que aconteceu em criança — e que foi provado não ser verdade –, sou misturado com essas pessoas“.

Recorde-se que, numa entrevista dada pela filha adotiva de Allen e Mia Farrow, Dylan disse que o pai “mente há muito tempo” e contou o episódio em que foi abusada sexualmente. Mas foi mais longe: “Enquanto criança de apenas sete anos, diria que ele me tocou nas partes privadas. Enquanto mulher de 32, diria que ele me tocou com o dedo nos lábios vaginais e na vulva“. Depois da entrevista dada no programa CBS This Morning, Woody Allen defendeu-se mais uma vez:  “Eu nunca molestei a minha filha, tal como as investigações concluíram há vários anos”.

Woody Allen defende-se: “Nunca abusei da minha filha, foi a mãe que a treinou para contar esta história”