Sporting

Bruno Fernandes. “Contrato foi melhorado pelo meu empresário, mas foi rejeitado por mim”

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O médio foi (re)apresentado esta terça-feira em Alvalade, depois de ter rescindido em junho. Revelou que teve clubes dispostos a pagar os 100 milhões da clásula e garantiu que não quis ser aumentado.

Bruno Fernandes chegou ao Sporting no verão de 2017

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Autor
  • Mariana Béu

Ainda não tinha começado a conferência de imprensa e já eram muitas as novidades. Pouco antes, chegava da CMVM a confirmação do regresso de Bruno Fernandes, por mais cinco anos, e com a mesma cláusula de 100 milhões de euros. E havia ainda uma conversa, tida já na mesa do Auditório Artur Agostinho, em que Sousa Cintra, atual presidente da SAD do clube, falou ao jogador da situação de Nani, do não regresso de Daniel Podence, pelos elevados valores que exigiu, e ainda do papel de líder que Bruno Fernandes vai ter no plantel leonino. O Observador sabe, até, que o médio vai entrar no lote de capitães, juntando-se a Sebastián Coates (que já estava nesse grupo), sendo que o terceiro elemento está ainda em análise, dependendo dos jogadores que ficarem na equipa depois do mercado de verão.

Na (re)apresentação como jogador do Sporting, Bruno Fernandes estava sorridente — e mais ficou quando, ainda antes de falar, vestiu a camisola que o consagrou como melhor jogador da Liga na temporada passada. E foi exatamente por aí que Sousa Cintra começou. “É uma grande satisfação e um grande orgulho estar aqui com o melhor jogador de Portugal, como disse, e bem, a Liga. Todos foram unânimes: o Bruno Fernandes é um caso à parte, não só como jogador mas como pessoa. Teve um comportamento exemplar, é uma pessoa fora de série, tenho de o realçar publicamente”.

Bruno Fernandes esteve sempre sorridente, ao lado do presidente da SAD, Sousa Cintra. JOÃO PORFÍRIO / OBSERVADOR

Logo depois, o presidente da SAD leonina entrou no tema que acabou por marcar a conferência de imprensa. “O processo demorou um pouco mais do que esperava, mas a culpa não é do jogador; é que às vezes os empresários complicam um pouco as coisas… Mas ele não quis ser aumentado. É excecional a forma como o jogador quis abraçar este projeto“, avançou. Ato contínuo, virou-se para o médio: “Já disse ao Bruno Fernandes que tem aqui um amigo para a vida”. Perante o sorriso tímido do jogador, concluiu. “Vamos conseguir chegar a bom porto. Hoje é um dia excecional para o Sporting”.

O microfone passou, depois, para Bruno Fernandes, que começou por prometer “mais do mesmo” aos adeptos. “Estou muito honrado por poder continuar a vestir a camisola do Sporting. Sempre foi uma honra estar aqui e vai continuar a sê-o. Vim para o projeto Sporting para conseguir títulos e crescer como jogador. O que posso prometer aos sportinguistas é mais do mesmo: muita entrega, muita garra, muita luta. Independentemente dos golos e das assistências, a minha atitude será sempre a mesma”. O jogador desviou os holofotes de si mesmo e virou-os para o coletivo: “Mais do que a nível individual, quero que este ano seja melhor a nível coletivo. No ano passado lutámos até ao fim e conquistámos apenas a Taça da Liga. Digo ‘apenas’ porque o Sporting tem de conquistar todos os títulos em que está envolvido”.

“Houve quem se oferecesse para pagar os 100 milhões. Não voltei por falta de clube”

Logo depois, a conversa resvalou para Bruno de Carvalho. O outro Bruno, o que estava sentado no Auditório Artur Agostinho, desvalorizou. “Não recebi qualquer garantia que [o antigo presidente] não vai regressar, nem estou preocupado com isso. Estou preocupado com o Sporting, com a pré-época, com os objetivos do clube. Independentemente de quem vier para presidente do Sporting, estarei disposto a dar o meu melhor”.

Mas o ‘elefante’ estava presente na sala — e o elefante era aquele dia 15 de maio em Alcochete, era as razões que o tinham levado a voltar, e se essas razões passavam por uma melhoria contratual de 900 mil euros anuais para quase o dobro: dois milhões. As dúvidas foram sendo desfeitas aos poucos. “Na minha carta de rescisão, a razão mais forte foi a segurança, mas o presidente Sousa Cintra assegurou que tudo isso foi tratado. Os acontecimentos foram graves, deixaram marcas, mas passaram e neste momento o Sporting está numa nova fase; não é um novo Sporting, é uma nova página”, esclareceu o jogador. Em seguida, os motivos que o levaram a regressar.

Voltei porque o projeto desportivo é o mesmo: lutar por títulos. Não vivo de prémios individuais nem do dinheiro que foi muito falado nos últimos dias. Estou a seguir um sonho e sou feliz dentro do campo. Voltei ao Sporting porque me senti feliz aqui, senti-me em casa, como nunca me tinha sentido, exceto no Boavista, onde fiz a formação”.

Era chegado o momento de falar de dinheiro. Sousa Cintra já tinha avançado que Bruno Fernandes não tinha pedido uma melhoria contratual; era tempo de o jogador o dizer com a própria boca. “O que sempre disse foi que, para voltar, não queria melhoria de contrato. Estava bem aqui, não via por que melhorar as condições a meu pedido. Uma coisa é o Sporting chegar à minha beira e dizer que tive uma boa prestação e me quer aumentar; agora, eu fazer chantagem, não. Sou apaixonado pelo futebol, pelo que faço. Se fosse só pela parte financeira, não estava de regresso ao Sporting”.

Bruno Fernandes de regresso ao relvado onde atuou na época passada e onde foi considerado o melhor jogador da Liga. JOÃO PORFÍRIO / OBSERVADOR

Já quase a rematar a conferência, Bruno Fernandes haveria de voltar a este tema e de o concretizar melhor. “O contrato foi melhorado pelo meu empresário, mas foi rejeitado por mim. Quando ele me disse que estava a negociar com o Sporting, eu disse-lhe que só voltaria com as mesmas condições”.

O médio português começava a preparar o xeque-mate aos críticos — que o acusaram de apenas regressar ao Sporting por dinheiro ou falta de clube. “Tive propostas, clubes que disseram que, se perdesse a rescisão em tribunal, pagavam os 100 milhões. Por isso, não foi por falta de clube que voltei”, sublinha. “Queria que o Sporting tivesse retorno financeiro, não queria ser vendido ao desbarato. Quando sair do Sporting, quero sair pela porta grande”, rematou.

“Benfica? Não sei nada disso…”

Ora, falando-se de clubes interessados em Bruno Fernandes, o Benfica tinha de vir à baila — afinal, muito se falou do interesse do rival da Segunda Circular. O médio chutou para canto. “Não sei de nada, sou muito ignorante nessas coisas, deixo tudo para o meu empresário. Quando ele achar que é benéfico ir para outro clube, falo com ele”.

Já quase no final, o jogador falou ainda dos outros oito jogadores que rescindiram com o clube. “Falo praticamente todos os dias com eles sobre esta situação, que é muito difícil para todos. Não sei se mais alguém vai voltar, não quero aprofundar muito isso“, referiu. “Não é fácil sair assim, alguns jogadores têm muitos anos de clube, um sentimento muito forte pelo Sporting. Independentemente das rescisões, têm muito carinho pelo clube e estão a tentar a melhor solução para as duas partes”, garantiu Bruno Fernandes.

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