Desporto

Carlos Vieira, o ex-número 2 que quer passar a líder do Sporting secundarizando a figura do antigo número 1

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Carlos Vieira apresentou a candidatura às eleições do Sporting, assumindo que não pediu antes a demissão porque estava a ser fiel ao clube. "Neste projeto Bruno de Carvalho não tem espaço", destacou.

Carlos Vieira apresentou candidatura na rua do Passadiço, onde o Sporting teve a sua sede ao longo de mais de 20 anos

RODRIGO ANTUNES/LUSA

A blogosfera do Sporting continua a ser próspera em comentários, informações, contra informações e rumores sobre tudo o que se passa no quotidiano no clube, ainda para mais numa altura em que os leões se encontram na antecâmara de um ato eleitoral que já conta com sete candidatos confirmados (Zeferino Boal lidera a lista com o lema “Sporting, para te ver sempre na frente!”, que se começou a disseminar através das redes sociais esta quinta-feira). Massa crítica não falta por ali, mas o “diz-que-disse”  também é muito e havia uma parte que entroncava diretamente nos anteriores dirigentes que foram destituídos em Assembleia Geral no passado dia 23 de junho. Então era assim: Bruno de Carvalho avançava numa lista, Carlos Vieira ia noutra e depois surgiria alguém que juntaria ambos para “recuperarem o poder” que começou a ser retirado através de decisões de tribunais. Até podia ser, até à apresentação oficial do antigo número 2 com o pelouro das finanças do clube e da SAD – a forma como Vieira se colocou em termos de nicho eleitoral, tentando ficar com o eleitorado do antigo líder, mitigou essa ideia.

Numa apresentação realizada na Rua do Passadiço, “um sítio emblemático” que foi sede do clube verde e branco entre 1947 e 1971 e onde o basquetebol ganhou três Campeonatos Nacionais (teve de abandonar depois as instalações perante a obrigatoriedade de jogar em recintos fechados) – e que serviu também para anunciar não só a manutenção das equipas de formação da modalidade mas ainda o regresso de um conjunto sénior, inativo desde 1995 por referendo proposto pela Direção liderada por Pedro Santana Lopes onde o andebol saiu vitorioso –, Carlos Vieira tentou balizar três grandes objetivos: 1) demarcar-se dos sete anos que esteve com Bruno de Carvalho, dois como candidato derrotado (entre 2011 e 2013) e cinco como vice eleito (2013-2018), não do projeto em si mas da figura do antigo líder; 2) destacar a ideia que não é por deixar de existir o antigo número 1 que os planos que estavam preconizados pelos órgãos sociais destituídos caem, pelo contrário; 3) dar o primeiro passo para despir o fato do homem das contas, um tecnocrata menos apegado ao clube, e apresentar uma imagem pública diferente, ao mesmo tempo que “piscou o olho” a uma solução que possa resolver o atual estado de suspensão provisória que atravessa.

“Estivemos no mesmo projeto desde 2013, até foi antes em 2011, e o projeto mantém-se, não abandonámos o projeto. Continua a existir o regime presidencialista e o resto da equipa está cá. Neste projeto, o antigo presidente Bruno de Carvalho não tem espaço, candidato-me a presidente do clube e da SAD”, destacou no período de perguntas e respostas, antes de explicar o porquê de não ter saído antes e forçado eleições antecipadas com a perda de quórum do Conselho Diretivo (a par de José Quintela e Luís Gestas, dois vogais da Direção que não pediram também a demissão e que estão agora na lista de Vieira): “Estive sempre com o projeto do Sporting, havia um mandato que tinha sido decidido pelos sócios. O que quis foi garantir que as coisas continuavam a funcionar. Fui fiel ao mandato para o qual tinha sido incumbido. Diferenças com Bruno de Carvalho? As pessoas vão ter tempo para me conhecerem melhor e perceberem que fui leal ao Sporting, que é um lema que está agora por aí [n.d.r. é o lema da campanha apresentada ontem pelo ex-presidente leonino, “Leais ao Sporting”]”.

Carlos Vieira esteve sete anos com Bruno de Carvalho, cinco no Sporting; agora, fazem caminhos distintos (JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR)

“”Reunimos uma equipa com competência, experiência acumulada, com conhecimento das pastas. Connosco, o Sporting primeiro, todos os sportinguistas contam de igual forma. Queremos um Sporting plural em que o respeito pela diferença de opinião seja a nota dominante. Seremos firmes e intransigentes na defesa acérrima do Sporting”, destacou, apelando a uma campanha que seja pautada pela serenidade e elevação e nomeando uma série de projetos que pretende levar para a frente além do regresso da equipa sénior de basquetebol: “construir uma nova Academia na zona da Grande Lisboa, com todas as condições de segurança mas maior proximidade e melhores acessos, tendo já havido contactos com algumas câmaras”; dar continuidade à revelação do Relatório de Sustentabilidade; colocar em prática o projeto existente da Rádio Sporting; abrir através da Fundação Sporting o projeto Sporting 112 e uma Universidade Sénior; criar uma Academia de modalidades; e não só manter como reforçar o património do clube e as relações com os investidores da SAD, sem perder a maioria do capital social.

“Existe uma excessiva judicialização na nossa sociedade em geral e o Sporting está a exagerar na litigância. O que me fizeram com a suspensão de sócio do clube foi como se me tivessem tirado a minha cidadania… Sei que tenho deveres, sei que tenho obrigações mas recordo que esta Comissão de Fiscalização, que foi nomeada e não eleita ou sufragada, não tem os mesmos mecanismos que tinha o Conselho Fiscal e Disciplinar, que por exemplo foi eleito por método de Hondt. Deixava aqui uma sugestão, e é apenas isso: que pudessem parar esta questão da suspensão, que levassem a uma Assembleia Geral antes ou depois das eleições  e, se os sócios disserem que sim a isso, saberei perceber porque são soberanos. Existem mecanismos legais para combater isso, apesar de ainda não ter estudado a questão a fundo”, lançou sobre a atual suspensão que tem enquanto associado e que poderá fazer com que seja impedido de ir a votos… tal como Bruno de Carvalho.

De referir que, nesta altura, são já sete os nomes que pretendem entregar listas ao próximo sufrágio eleitoral do Sporting no dia 8 de setembro: Frederico Varandas, Fernando Tavares Pereira, Pedro Madeira Rodrigues, Dias Ferreira, Bruno de Carvalho, Carlos Vieira e Zeferino Boal. A estes vai ainda juntar-se João Benedito, no decorrer da próxima semana, havendo ainda mais dois “movimentos” ou grupos de sócios que estudam a possibilidade de formar um elenco para o ato.

Miguel Albuquerque, diretor do futsal leonino que foi pressionado para avançar com uma candidatura, deixou cair a ideia face à proliferação de nomes nos últimos dias, estando disponível para trabalhar com qualquer que seja o líder eleito e assumindo que foi contactado por vários candidatos entre os quais Frederico Varandas, com quem partilhou a visão para as modalidades.

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