A CP garantiu, no início de agosto, que ia corrigir os problemas de ar condicionado dos comboios (e até parou de vender bilhetes por causa do calor), mas os problemas continuam a acontecer. Este domingo, e quando os termómetros das carruagens marcavam 38º, o Alfa Pendular que fazia a viagem de Lisboa a Braga teve uma avaria no ar condicionado, denunciaram vários passageiros ao Observador.

A avaria levou a empresa a informar os passageiros que se encontravam naquele comboio que podiam ir buscar garrafas de água ao bar do comboio, sem pagar nada. Terá sido a única forma de remediar o problema.

Houve trabalhadores que fazem reparação e conservação que nos avisaram, porque depois de receberem o comboio verificaram que houve uma avaria”, explicou fonte do SNTSF.

A situação chegou também ao conhecimento do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário (SNTSF), através de denúncias dos “trabalhadores que fazem reparação e conservação” dos comboios e que, no domingo, “depois de receberem o comboio, verificaram que houve uma avaria“, confirmou o dirigente desse sindicato ao Observador.

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Passageiros a sair dos comboios e trabalhadores a pedir baixas médicas

A situação deste domingo não é única. É, aliás, “muito frequente, porque o material é antigo”, lamenta a mesma fonte sindical, acrescentando que avarias no ar condicionado “sempre foram vulgares, mas agora conhecem-se mais por causa da comunicação social”.

Já chegou a acontecer uma situação em que os utentes saíram do comboio, em Pombal, porque não aguentavam o calor“. O comboio teve de fazer uma paragem extraordinária”, denunciou fonte do sindicato.

Os passageiros não são os únicos afetados. O SNTSF recebe também várias queixas de trabalhadores que chegam a pedir “baixas médicas” porque “estão sujeitos a uma pressão enorme”. “Têm de trabalhar fardados com aquelas temperaturas e ainda estão sujeitos às queixas dos passageiros, que são legítimas”, explicou fonte do sindicato ao Observador.

CP parou de vender bilhetes devido a ar condicionado, mas voltou a aceitar passageiros e as falhas continuam

Não é a primeira vez que situações como estas acontecem a bordo de comboios da CP. No início do mês — e numa altura que se fizeram sentir temperaturas muito elevadas –, problemas com o ar condicionado dos comboios levaram vários passageiros a apresentar reclamações à DECO, no Portal da Queixa e, também, nas redes sociais.

Na carruagem 4, a temperatura era absolutamente insuportável, de tal forma que todos os passageiros a abandonaram e se espalharam pelo resto do comboio, de pé ou sentados”, escreveu um passageiro no Facebook, em relação a uma viagem no dia 2 de agosto.

As previsões de temperaturas extremas levaram a CP, no dia 5 de agosto, a cancelar a venda de bilhetes para alguns comboios Alfa Pendular e Intercidades, “nomeadamente para aqueles que circulam em pontos que têm revelado maior impacto no aumento das temperaturas interiores”, anunciou a empresa em comunicado.

Temperaturas extremas levam CP a cancelar venda de bilhetes para longo curso

A CP empresa reconheceu, na altura, que as temperaturas altas sentidas naqueles dias estavam a “afetar seriamente a operação ferroviária” e, por isso, era necessário “corrigir problemas” de “comboios cuja capacidade de refrigeração se encontra afetada”.

No mesmo comunicado, a empresa explicou ainda que os atrasos se deviam “às temperaturas que se fazem sentir dentro dos veículos, causam níveis de desconforto elevados aos passageiros que procuram os comboios para as suas deslocações”.

Venda de bilhetes para longo curso da CP está regularizada

O calor passou e, um dia depois, a venda de bilhetes foi regularizada e a CP deixou a garantia de que iria acompanhar a evolução da situação, nomeadamente a das temperaturas no interior dos comboios — e que levou o Bloco de Esquerda a questionar o Ministério do Planeamento e das Infraestruturas. “Considerando os recentes acontecimentos, estão a ser adotadas medidas corretivas nos sistemas de refrigeração das carruagens por forma a suprir as atuais debilidades de funcionamento?”, lia-se na pergunta.

Contactada por email pelo Observador, fonte do Ministério do Planeamento e Infraestruturas disse apenas que questões relacionadas com a empresa pública “devem ser colocadas à empresa que opera os comboios, no caso a CP”. Mas o Observador já tinha colocado essas questões à CP que, até ao momento, apesar da insistência para obter uma resposta, recusou fazer um comentário sobre o assunto.

BE questiona Governo sobre falhas na refrigeração dos comboios da CP