A Volkswagen, que possui uma extensa gama de veículos eléctricos, parece acreditar que venderá mais baptizando-os com nomes conhecidos e facilmente associados à marca, ainda que as denominações estejam associadas a modelos com motores a combustão. Isto explica que, ainda antes de ser lançado, o ID. 2 tenha sido renomeado ID. Polo e o ID. 4, que surgiu originalmente em 2020, seja agora substituído pelo novo ID. Tiguan, designação que vai continuar a existir no mercado, mas sem o “ID”, associada ao modelo com dimensões similares e motor principal a combustão.
No meio destas trocas de nomes, importa realçar que o ID. 4 vai ser substituído, mas não o ID. 5, uma vez que o ID. Tiguan surgirá apenas com uma versão do novo SUV eléctrico, aquela que oferece uma carroçaria mais volumosa, destinada a optimizar o espaço no habitáculo e na mala. Isto significa que o ID. Tiguan passa a ser o substituto único da até aqui dupla ID. 4/ID. 5, que liderava as vendas de eléctricos na VW, ultrapassando mesmo o mais pequeno e acessível ID. 3, o qual passará a ID. Golf na próxima geração, de acordo com a imprensa germânica.
O desaparecimento do ID. 5, com as suas formas de SUV coupé, faz parte da estratégia anunciada pelo Grupo Volkswagen para recuperar da considerável redução dos lucros registada em 2025, revés que o conglomerado procura reverter com 100.000 despedimentos, o encerramento de quatro fábricas na Alemanha e a redução do número de variantes de carroçarias e de modelos, para optimizar a produção. Mas isto significa perder igualmente algumas vendas, uma vez que, na família, o ID. 5 vendeu nos primeiros oito meses de 2026 cerca de 10% na Europa e 20% no mercado global.
O novo ID. Tiguan é 3,4 cm mais comprido, mas essencialmente por uma questão estética, dado que não há diferenças na largura, altura e distância entre eixos face ao ID. 4. O espaço por dentro não deverá sofrer alterações, o que nem é necessário atendendo a que o habitáculo já é muito espaçoso para o segmento. A bagageira também cresceu no ID. Tiguan, mas de forma relativa, pois se lá atrás o espaço para malas caiu 9 litros (passando de 543 para 534 litros), a realidade é que o novo SUV eléctrico ganhou uma frunk com 32 litros, ideal para guardar os cabos de carga e outros objectos sujos (como ténis, botas e roupa), poupando assim o que está guardado na bagageira.
Trocando a plataforma específica para veículos eléctricos MEB (do ID. 4) pela versão mais recente MEB+, o ID. Tiguan vai estar disponível com duas capacidades de bateria, uma do tipo LFP (fosfato de ferro-lítio) com 61 kWh de capacidade (58 kWh úteis) para a versão mais acessível, e outra mais generosa com uma química NCM (níquel, cobalto, manganês). Este acumulador, com 82 kWh de capacidade bruta (77 kWh úteis), destina-se às versões mais possantes e, necessariamente, mais dispendiosas. A primeira bateria aceita carregamento apenas a 105 kW, enquanto a segunda e maior consegue carregar a 165 kW, o que ainda assim fica abaixo dos 175 kW que o anterior ID. 4 permitia.
Motorizações para o ID. Tiguan há três, com a bateria com 58 kWh a surgir associada a um motor eléctrico instalado no eixo traseiro com 190 cv. Este conjunto é capaz de atingir 160 km/h e ir de 0-100 km/h em 8,5 segundos, para depois percorrer 454 km com uma só carga da bateria. A bateria com 77 kWh alimenta a versão intermédia, com um motor traseiro com 286 cv e reivindicando 180 km/h de velocidade máxima, 0-100 km/h em 6,6 segundos e 605 km de autonomia, o que representa um ganho considerável face aos 560 km anunciados pelo ID. 4 com o mesmo conjunto motor/acumulador.
A versão mais possante e desportiva do ID. Tiguan será o 4Motion — adoptando mais uma denominação tradicional do construtor, ainda que associada a modelos a combustão — e montará dois motores, um em cada eixo, totalizando 299 cv, abaixo pois dos 340 cv que o ID. 4 oferecia até aqui. A velocidade máxima continua limitada a 180 km/h, a capacidade de aceleração até 100 km/h fica um pouco aquém das expectativas (6,3 segundos), para a autonomia surpreender pela positiva, ao anunciar 564 km, em vez dos 520 km do ID. 4, confirmando que o Tiguan eléctrico é mais eficiente do que o anterior “4”.
Com um interior mais de acordo com as soluções estéticas com que estão mais familiarizados os clientes mais tradicionalistas da Volkswagen, o ID. Tiguan exibe um estilo mais clássico por dentro (tal como por fora), com destaque para o regresso dos botões físicos e para o painel de instrumentos maior, mais completo e mais legível. O novo Tiguan eléctrico, que é mais uma evolução do que uma revolução face ao ID. 4, poderá ser encomendado ainda este ano, mas começará a ser entregue a clientes apenas no início de 2027, com os preços a arrancarem próximo dos 46.000€, acima do ID. 4 com mecânica similar (170 cv e 52 kWh), que foi introduzido no mercado por 40.700€.