Para quem é um iniciante nos temas da botânica de interiores e tem o sonho de ter uma casa com uma área verde generosa, as dúvidas são quase sempre as mesmas. Mas há poucas dicas fundamentais para cuidar de plantas e, acima de tudo, saber adaptar o espaço que se tem em casa, ao ambiente, à luz e, claro, às próprias plantas que se escolhe.

Com a ajuda das quatro amigas fundadoras do projeto Generosa, preparámos um guia para cuidar de plantas à prova até da pessoa com menos jeito para jardins. Eis o básico dos básicos: as plantas são capazes de fabricar a própria energia através da fotossíntese. E para este processo ocorrer, só temos de fornecer três coisas: água, luz solar e dióxido de carbono. A planta fará tudo o resto.

A Generosa cria coleções de plantas para ajudar as pessoas a descobrir quais são as melhores para os seus espaços. E elas sabem do que falam. A Cristina, a Rosário e a Sofia são engenheiras agrónomas e, depois de passarem alguns anos a trabalhar nos sectores agrícolas e agroalimentar, decidiram virar-se para o que unia as três: a paixão pelo mundo das plantas. Juntou-se então a quarta amiga, a Joana, farmacêutica mas apaixonada por plantas e decoração, e o projeto Generosa ganhou os seus quatro eixos: curadoria, qualidade, personalização e acompanhamento.

Deve optar sempre por vasos com buracos no fundo e pratos para escoar a água (esquerda). Em vasos decorativos sem buracos (direita), tem de improvisar uma forma de fazer drenagem. Fotos: Pinterest

O  bê-á-bá das plantas dentro de casa

Eis os três passos fundamentais que tem de dar depois de comprar qualquer planta para ter em casa:

Escolha o sítio adequado para o seu poiso

Normalmente essa indicação vem escrita no vaso ou o vendedor deve explicar-lhe. Há plantas que querem muita luz solar — coloque-a perto da janela ou numa zona da casa que apanhe sol grande parte do dia. Há outras que preferem luz média — coloque-a numa divisão luminosa mas onde não receba luz solar diretamente. Tem pouca luz dentro de casa? Então tem de escolher plantas mais tolerantes à sombra e que se vão dar bem em divisões mais escuras. “Qualquer zona da casa onde não seja possível ler uma revista sem recorrer a iluminação artificial é uma zona muito provavelmente inadequada para o desenvolvimento de qualquer planta”, explicam as fundadoras da Generosa. Corredores ou hall de entrada escuros estão, por isso, excluídos.

Mude a planta de vaso

Muitas plantas começam a murchar porque ficam indefinidamente no vaso onde estavam quando foram compradas. Por norma, esses são apenas vasos de tamanho limite onde as raízes acabam por não ter espaço para crescer. Deixe a sua planta habituar-se ao novo espaço e, uma ou duas semanas depois, faça a muda para um vaso maior. Deve cobrir metade do vaso novo com um substrato adequado, colocar a planta no meio e preencher até acima. As raízes nunca devem ficar no fundo do vaso ou não vão ter espaço para se desenvolver.

Garanta a drenagem

Se a sua planta não tiver drenagem, o substrato vai ficar empapado e as raízes vão apodrecer. Assim, quando fizer a muda para um novo vaso, garanta que este tem buracos no fundo para a água sair. Caso seja um vaso decorativo de louça, por exemplo, por onde não seja possível a água escoar, terá de improvisar uma drenagem. Coloque pedras de tijolo ou argila no fundo do vaso, seguida de uma camada de areia lavada (a de construção, por exemplo) e, então, a terra. A areia vai fazer com que a água escoe para a próxima camada sem asfixiar as raízes. Também funciona com esferovite no fundo e uma manta de drenagem ou um pouco de feltro entre o esferovite e a terra. É permeável e não asfixia as raízes. Mas o ideal será, claro, vasos com vários buracos no fundo e um pratinho para deixar a água sair. Se o vaso tiver buracos pequenos, pode fazer os passos anteriores para garantir uma boa drenagem.

Observe e “ouça” a sua planta e quando é que ela pede água. As necessidades de água estão sempre a mudar em função das condições do meio ambiente ao longo do ano. Fotos: Pinterest

Com a chegada do outono e a menor luz solar, como cuidar das plantas?

O mais importante é a gestão da rega. É preciso ajustar as necessidades de água das plantas a esta época em que as temperaturas começam a descer e as plantas necessitam de menos água porque, tal como nós, transpiram menos. A redução da luz implica também uma diminuição da taxa de crescimento das plantas, pelo que a fertilização deixa de ser necessária, sob risco de se poder tornar tóxica quando em excesso. E pode ser necessário aproximar mais as plantas das janelas para compensar um maior ensombramento das divisões da casa.

Regamos demais ou regamos a menos?

Se muitas plantas morrem por falta de água, a verdade é que morrem (mais) frequentemente por excesso de água. E uma coisa tão simples é, afinal, aquela em que se erra com mais frequência. Não faça um calendário rígido. Pelo contrário, observe a sua planta até ela “pedir” água. Uma planta feliz tem a terra húmida mas não molhada. Assim, para saber quando deve regar, introduza um dedo no substrato para sentir se está seco ou húmido. Se estiver húmido, volte a verificar no dia seguinte. Se aí já estiver seco, uma boa rega vem mesmo a calhar. Quando regar, cubra toda a zona em redor da planta e não apenas num local. A água tem de estar uniformemente disponível por todas as raízes.

Seguir um calendário rígido é meio caminho andado para matar uma planta porque as necessidades de água estão sempre a mudar em função das condições do meio ambiente ao longo do ano. Há alturas em que a planta pede mais água e outras em que pede menos. As folhas murchas também não são sinal de falta de água. Às vezes as folhas estão murchas devido à asfixia das raízes que têm muita água acumulada no fundo do vaso. Aí, elimine a água do vaso e deixe a terra secar.

Passo muito tempo fora de casa. Não posso ter plantas?

Claro que sim. Há plantas mais exigentes em cuidados do que outras, plantas que não gostam de correntes de ar, plantas que são muito sensíveis à falta pontual de água e, claro que isto não é só conversa das avós, plantas que gostam de vida em casa (ou que se fale com elas). Quem viaja muito ou gosta de passar o fim de semana fora deve optar por plantas fáceis, que tolerem algum descuido, que sejam menos exigentes de água e que recuperem bem depois de serem ignoradas. Estas são as plantas da categoria “as mais fáceis” que na Generosa são aconselhadas às pessoas mais ausentes.

“Uma maneira simples de avaliar a quantidade de luz disponível é observar as sombras nas paredes durante as horas mais luminosas do dia. Sombras muito bem definidas indicam locais com boa luminosidade. Sombras pouco definidas são indicativas de zonas mais ensombradas, onde a opção deve incidir sobre plantas tolerantes a condições de baixa luminosidade”, explicam as engenheira agrónoma do Generosa. Foto: Pinterest

O que é que as pessoas fazem geralmente de errado?

  • Em primeiro lugar, o excesso de rega, claro. Mas há mais coisas que provavelmente está a fazer de errado e é por isso que as suas plantas não sobrevivem;
  • Plantas demasiado perto das janelas e muito expostas ao sol direto;
  • Plantas sujeitas a fortes oscilações de temperatura, demasiado próximas de aparelhos de ar condicionado ou de aquecedores;
  • Plantas em vasos demasiado pequenos cujas raízes ocupam a maior parte do vaso;
  • Ou plantas em vasos muito grandes onde a água que fica retida no vaso é excessiva para as suas necessidades, o que acaba por também matar as raízes;
  • Não compreender o ciclo de vida das plantas. Algumas são anuais (estão sempre em folha o ano todo), outras são vivazes (perdem as folhas e as flores no inverno e voltam a nascer no verão). Não atire para o lixo uma planta que pode estar apenas no seu ciclo;
  • Não é só no verão que se deve pulverizar as plantas e as folhas (com um borrifador) devido ao calor. Durante o inverno, e porque as casas são aquecidas, o ar fica seco e a planta também precisa de ser pulverizada.

Algumas leituras que podem ajudar

  1. Jardins em Miniatura: Terrários e Outros Pequenos Jardins de Holly Farrell, Ed. Vogais;
  2. De Semente a Planta: Aprenda a cultivar a partir de pevides, grainhas e caroços de Holly Farrell, Ed. Vogais;
  3. Plantas em Casa de Ian Drummond e Kara O’Reilly, Ed. ArtePlural;
  4. Escolhe uma Planta… E Aprende a Cuidar Dela, Ed. Booksmile;
  5. Plantas de Interior de Ania Flehmig e Friedrich Strauss, Ed. Everest;
  6. Plantas Ornamentais de Interior e Exterior, Ed. NGV;
  7. 101 Sugestões: Plantas de Interior de John Brookes, Ed. Civilização Editora;
  8. O Grande Livro das Plantas, Selecções do Reader’s Digest.

Também tem algumas apps

  1. Como a Plantit, que dá dicas de cultivo de várias plantas e ervas aromáticas (é portuguesa);
  2. Garden Answers Plant Id, que identifica qualquer planta a partir de uma fotografia;
  3. Ou a WaterMe – Gardening Reminders, que permite criar notificações de regar, fertilizar, cortar etc, para ter sempre no calendário as datas de cada planta.

Precisa de aconselhamento para escolher as plantas certas para o seu espaço?

A Generosa tem um portfólio de conjuntos de plantas para várias necessidades, desde as “mais fáceis” para quem não tem muito jeito ou passa pouco tempo em casa até às que “estão bem à sombra” para casas que não têm muita luz solar. A equipa da Generosa personaliza as plantas a cada espaço e faz todo o acompanhamento depois da compra para ajudar em todos os passos desta nova aventura botânica.

Pode saber mais sobre o projeto Generosa no site.

Na fotogaleria, em cima, veja 10 das melhores plantas para ter em casa porque são fáceis de cuidar, ambientam-se bem, algumas dão-se bem ao sol e outras sobrevivem até no canto mais escuro da casa.