Limitar o tempo que as crianças passam a olhar para um ecrã melhora a sua capacidade de aprendizagem. O ideal seria passarem menos de duas horas por dia, dormirem o suficiente e terem atividade física. Desse modo, melhorariam a sua capacidade cognitiva, de acordo com o estudo publicado no jornal semanal The Lancet Child & Adolescent Health.

O estudo envolveu 4500 crianças americanas, com idades entre os 8 e os 11 anos, onde se mediram os seguintes hábitos diárias: horas dormidas; tempo passado em frente a um ecrã; exercício físico. Concluiu-se que 51% das crianças selecionadas dormem, por noite, as recomendadas nove a 11 horas, 37% passam duas ou menos horas em frente a um ecrã por dia, e 18% cumprem, pelo menos, os 60 minutos de atividade física que devem ter por dia. Mas apenas 5% das crianças cumprem as três recomendações simultaneamente e 30% não cumpre nenhuma delas. 

Em média, as crianças que participaram no estudo dormem 9,1 horas por noite, passam 3,6  horas por dia a brincar com um ecrã ou a olhar para ele e 3,7 horas por dia em atividades físicas.

O facto de cada criança ter cumprido uma das recomendações permitiu que os investigadores estabelecessem uma associação positiva com a sua aprendizagem — que integra a memória, a atenção, a rapidez de assimilação da informação e a linguagem. Aqueles que cumpriram as três recomendações demonstraram os níveis de cognição mais elevados; seguiram-se aqueles que cumpriam as horas de sono recomendadas e o tempo que passavam em frente a um ecrã e, por fim, aqueles que cumpriam apenas o tempo recomendado para passar em frente a um ecrã.

“Nós sabemos que os comportamentos como a atividade física, o sono e o tempo que se passa a olhar para um ecrã têm impacto independente na saúde cognitiva de uma criança. Contudo, estes comportamentos nunca são considerados em combinação uns com os outros”, disse Jeremy Walsh, o autor principal do estudo.

Os investigadores quiseram aproveitar a oportunidade de relacionar cada um dos parâmetros relacionados com a aprendizagem, numa amostra significativa, num universo de crianças dos Estados Unidos da América. O autor acredita que 30% das crianças que não cumpriram nenhum dos parâmetros são aquelas que têm a maior vantagem de se ajustar aos comportamentos diários, uma vez que não estariam a receber benefícios se os cumprissem.

Segundo Kirsten Corder, uma investigadora da Universidade de Cambrigde na área de epidemiologia, este novo estudo acrescenta novos dados às evidências já existentes sobre as ligações negativas que existem na correlação do tempo que as crianças passam em frente a um ecrã e o seu desenvolvimento cognitivo. É importante sublinhar, aqui, que a quantidade de tempo recomendado para passar em frente a um ecrã é variável, dependendo da idade da criança.

Na perspetiva de Walsh, o objetivo fundamental será a sensibilização dos pais face às 24 horas que cada dia dos seus filhos tem, com vista a estabelecer regras realistas e limites quanto ao tempo que ele passam com um ecrã à frente e à atividade física que devem fazer.