Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Os rumores de remodelação já corriam há muito. Volta não volta, os jornalistas pegavam no telefone e corriam várias fontes do governo para confirmar se o ministro da Saúde estava mesmo de saída e se António Costa ia aproveitar para substituir Caldeira Cabral na economia ou Azeredo Lopes na Defesa. Acabou mesmo por ser na sequência da demissão de Azeredo Lopes por causa do processo de Tancos que o primeiro-ministro fez aquilo que já se adivinhava há meses. Saem Adalberto Campos Fernandes, Manuel Caldeira Cabral e Luís Filipe Castro Mendes.

O comunicado divulgado no site da Presidência da República este domingo de manhã, revela que Marcelo Rebelo de Sousa aprovou os novos nomes propostos por Costa não só para a Defesa, mas também a Economia, a Saúde e a Cultura. A tomada de posse dos novos ministros está marcada para segunda-feira ao meio dia, no Palácio de Belém.

João Gomes Cravinho é o novo ministro da Defesa Nacional, Pedro Siza Vieira mantém-se como ministro-adjunto do primeiro-ministro mas agora com a pasta da Economia. Para a Saúde entra Marta Temido e a Cultura fica entregue a Graça Fonseca, até agora Secretária de Estado da modernização Administrativa.

Há mais uma alteração no Executivo, embora o nome se mantenha o mesmo: João Pedro Matos Fernandes mantém-se como ministro do Ambiente, mas é-lhe acrescentada a pasta da Transição Energética, que sai da tutela da Economia.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Esta é a terceira vez que António Costa remodela ministros — em três anos de Governo (completos no próximo dia 26 de novembro), mas é de todas a mais profunda. E acontece num calendário inédito, entre a aprovação de um Orçamento do Estado em Conselho de Ministros e a entrega do diploma na Assembleia da República – marcada também para segunda-feira. De um ponto de vista político, é também um calendário que acaba por ser favorável ao executivo, já que qualquer controvérsia que a remodelação governamental possa acarretar perde força a partir do momento em que, horas depois, os olhares se centram no Orçamento do Estado.

A demissão do ministro da Defesa fez que com que António Costa avançasse com esta remodelação, acabando por esperar que estivesse fechado pelo menos a primeira fase do Orçamento do Estado para o próximo ano. No Governo o timing é justificado com o facto de já estar aprovado pelo Conselho de Ministros — ainda com os ministros que agora saem em funções — o Orçamento do Estado para 2019. A aprovação aconteceu na noite de sábado e a remodelação foi conhecida 12 horas depois desse momento, com a noite pelo meio.

Isto faz com que a proposta que o Governo vai entregar esta segunda-feira venha a ser defendida, nas audições parlamentares sobre o Orçamento, por quatro ministros que não a negociaram. É a segunda vez que Siza Vieira está nesta posição, uma vez que no ano passado entrou para o Governo precisamente nesta altura, ficando a defender o Orçamento que tinha sido negociado pelo ministro a quem sucedeu, Eduardo Cabrita.

Azeredo Lopes demitiu-se do Governo para evitar “desgaste das Forças Armadas”