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Martim Madara. Martim, boa noite mais uma vez. Começamos esta edição das 9 com as manifestações. Milhares de pessoas estão em Lisboa e no Porto para novos protestos.

Manifestações que surgem depois da carga policial da noite de ontem. Começamos por Lisboa. Através das redes sociais, o movimento Lisboeta anunciou a convocatória com referências diretas aos acontecimentos desta madrugada. Num post na rede social, realçavam mesmo a frase: "Mais casas, menos bastão". Vamos agora ao encontro do jornalista do Observador, David Biléu, que está na Praça do Rossio. David, estiveste a acompanhar a assembleia popular, que teve início às 19h. Já foi tomada alguma decisão sobre qual é que vai ser a estratégia desta noite?

Não, Martim, neste momento ainda não foi tomada nenhuma decisão sobre qual vai ser a estratégia para esta noite. Esta assembleia popular começou às 19h e durou cerca de duas horas, terminou às 21h. E foi uma assembleia marcada pelos testemunhos dos manifestantes que subiram ao palco para dar o testemunho e mostrarem a sua opinião relativamente a estas manifestações. No entanto, está marcada para as 22h, para pouco menos de meia hora, outra assembleia popular, onde se espera que estes manifestantes possam chegar a um acordo sobre o que fazer. A sensação que me dá é que não vão ficar aqui a pernoitar a noite, na medida em que não há tendas montadas, não me parece existir essa intenção, mas ainda vamos verificar. Mas sim, de facto, foi uma assembleia marcada por apelos à greve geral de Portugal a Espanha e também apelos para a mobilização para a Assembleia da República na próxima terça-feira, dia 27, no dia da primeira discussão do orçamento de Estado para 2027, Martim.

Jornalista David Biléu, em direto do Rossio. Passamos agora para o Porto, na Praça Dom João I. Está a jornalista do Observador, Laura Figueiredo. Boa noite, Laura. Já acabou a assembleia popular e hoje não foi votada a pernoita na Praça Dom João I.

Já terminou há pouco, não foi votado porque o Movimento pela Habitação entende que hoje não estão reunidas as condições de segurança para passar aqui a noite, depois do que aconteceu na última madrugada. Mas vamos falar aqui com uma das porta-vozes do movimento, Catarina dos Santos. Boa noite, por que tomaram esta decisão de nem sequer levar o tema à votação hoje?

Depois da noite anterior e da terceira carga policial de uma violência extraordinária, não vamos colocar em risco nenhum dos companheiros.

A assembleia terminou há pouco, ainda está aqui bastante gente. Até que horas é que pretendem ficar aqui, mais ou menos?

De momento, temos alguma programação a decorrer, com bandas da cidade que querem mostrar a sua solidariedade e trazer cultura gratuita a todos os que se encontram na praça. Ficaremos cá até que termine e depois desmobilizaremos para descansar e repor energias. Amanhã é mais um dia de luta.

Muito obrigada. Fica aqui então a explicação da Catarina dos Santos sobre o porquê de hoje não terem votado esta pernoita na Praça Dom João I. A assembleia popular hoje durou mais do que o habitual, isto porque depois do que aconteceu na última noite, muitas pessoas quiseram falar. Os discursos foram quase todos no mesmo sentido, condenam a ação policial, criticam o governo e o silêncio do primeiro-ministro e também do presidente da República. Quanto à presença policial, consigo contar uns sete carros da PSP no topo da praça e também vários agentes fora dos carros, apenas a observar o que se passa aqui na Praça Dom João I. Agora, já no fim da assembleia popular, começamos a ver algumas pessoas desmobilizar. Vamos aguardar para ver o desenrolar das próximas horas.

A jornalista Laura Figueiredo, em direto da Praça Dom João I, no Porto, onde estão milhares de pessoas para uma nova manifestação.

E Martim, Pedro Nuno Santos acusa o primeiro-ministro de estar escondido em Espinho e de instrumentalizar as forças de segurança para se proteger a si e ao governo.

No vídeo publicado na rede social Instagram, o antigo secretário-geral do Partido Socialista começa por dizer que a carga policial da madrugada foi injustificada. Pedro Nuno Santos sugere que o argumento da retirada das tendas por parte da polícia não foi a razão da ação policial, mas sim a desculpa.

O primeiro-ministro Luís Montenegro, escondido há mais de uma semana em Espinho, aquilo que quis fazer ao comandar esta carga policial foi instrumentalizar, usar o aparelho do Estado, não para defender a pátria, o país ou a lei, mas para se proteger a si próprio e proteger ao seu governo, porque não houve nenhum valor da pátria que tenha sido posto em causa. A exigência para que não houvesse a carga policial foram as tendas. Foi este o motivo? Não, a desculpa para a carga policial.

O ex-ministro das Infraestruturas e da Habitação enumera ainda o que considera serem as razões do governo para instrumentalizar a polícia.

As razões para esta carga policial são essencialmente três. A primeira, porque o governo queria desviar as atenções das políticas públicas de habitação para um debate sobre o direito à manifestação. A segunda razão, porque na realidade o governo queria amedrontar o povo, calar as pessoas para que não protestem contra o governo. E a terceira razão é porque o governo sabe que já não é possível aguentar um sistema econômico neoliberal e as suas consequências insuportáveis na vida das pessoas sem recorrer à força e ao autoritarismo.

As acusações de Pedro Nuno Santos sobre o governo e o primeiro-ministro num vídeo nas redes sociais.

E do lado do Bloco de Esquerda, o deputado Fabian Figueiredo critica o silêncio do Presidente da República. Foi numa entrevista na SIC Notícias. O deputado do Bloco de Esquerda foi entrevistado depois de durante a madrugada ter estado no centro das atenções nas manifestações de Lisboa.

Na entrevista, começou por afirmar que foi agredido pela polícia e que levou bastonadas nos joelhos. Fabian Figueiredo questiona e critica António José Seguro, diz que o silêncio do Presidente da República é gravíssimo.

António José Seguro parece estar em parte incerta, tal como o Primeiro-Ministro. António José Seguro é o chefe de Estado, o garante da defesa da Constituição. Deve falar, não se entende o silêncio. É inaceitável, é incompreensível e deve falar ao país. Outra coisa é o que se passa com o Primeiro-Ministro. O que é que aconteceu para o Primeiro-Ministro, em vésperas do debate do Orçamento de Estado na generalidade, estar desaparecido, não presidir ao Conselho de Ministros, o que se passa?

O deputado do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, em entrevista à Sic Notícias.

Já a Comissão de Honra da candidatura de António José Seguro pede ao presidente, Martim, que se faça ouvir.

Um grupo de apoiantes de António José Seguro, que fez parte da Comissão de Honra ao Presidente da República, enviou uma carta a pedir que o presidente comente sobre estas manifestações em Lisboa e no Porto, mais especificamente sobre a carga policial. Os signatários criticam o que dizem ser o aparato policial desnecessário e desproporcional das manifestações em Lisboa e no Porto, bem como as cargas policiais pela calada da noite. Na carta, pedem que António José Seguro tome uma posição e fazem um apelo: o seu silêncio não acalma a violência, só a sua palavra pode repor a tranquilidade pública e a primazia do respeito pelos direitos cívicos dos cidadãos.

E seguimos nesta edição com o Brasil, onde ainda se vota a esta hora. As urnas deveriam ter fechado às 17h, 20h em Portugal continental. O horário foi alargado até às 19h, 22h pela hora de Lisboa.

A decisão foi tomada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o ministro Kassio Nunes Marques. A votação foi apenas estendida nas secções onde as urnas ainda estavam abertas. Ora, conosco temos o jornalista do Observador, Hugo Fortunato Oliveira. Boa noite, Hugo. O que é que aconteceu?

Muito boa noite. No centro da polémica estão os transportes públicos. A decisão surge na sequência de um pedido do PT, de Lula da Silva, que alega que problemas nos transportes estavam a impedir os eleitores de votar. Importa lembrar que no Brasil os transportes públicos coletivos são gratuitos nos dias de eleição, uma obrigação que decorre de uma decisão do Supremo Tribunal Federal de outubro de 2023 e que está também prevista na regulamentação do Tribunal Superior Eleitoral. O PL pediu também o adiamento da votação devido às condições meteorológicas, mas esse pedido foi rejeitado. Entretanto, o TSE suspendeu a contabilização dos votos. Até o momento, eram conhecidos apenas 0,25% dos resultados. A contagem só deverá ser retomada depois do novo horário de encerramento das urnas às 19h, hora de Brasília, 22h em Portugal. É uma decisão inédita, segundo a Folha de São Paulo, o prolongamento do horário de votação nunca tinha acontecido desde que o Brasil começou a utilizar as urnas eletrônicas em 1994. Em 2022, o PT já tinha pedido o alargamento do horário eleitoral, alegando que as operações da Polícia Rodoviária Federal, sobretudo no Nordeste, estavam a dificultar a deslocação dos eleitores. Na altura, esse pedido foi rejeitado por Alexandre de Moraes, então presidente do Tribunal Superior Eleitoral, que rejeitou esse pedido. As urnas deverão agora fechar dentro de cerca de meia hora.

O jornalista do Observador, Hugo Fortunato Oliveira, com toda a informação sobre esta polêmica que está a acontecer no Brasil. Entretanto, o atual presidente brasileiro, Lula da Silva, já veio acusar o partido de Bolsonaro de que está a fazer propositadamente esta suspensão dos transportes. Diz que o presidente da Câmara de São Paulo e o presidente da Câmara de Bahia vão ser presos se Lula da Silva vencer as eleições.

Segunda volta das eleições no Brasil, que vai ser acompanhado aqui na Rádio Observador e também através do nosso YouTube, uma emissão especial que arranca às 22h, e depois do vídeo vai passar também a ser simultânea com a rádio. Para já, altura de atualizar ainda a informação de âmbito local que está a marcar, Martim Madeira, este domingo, 25 de outubro.

Começamos em Sesimbra, onde decorreu hoje a quinta prova Triatlo da Cidade, o Campeonato Nacional de Clubes de Triatlo de Estafeta, junta natação, ciclismo e corrida na Lagoa de Albufeira. A prova reuniu centenas de atletas federados e alia o desafio desportivo à resistência e contacto com a natureza. A Comissão de Festas de São Silvestre, em Alcaidão, na freguesia do Conselho Porto Mosta, realizou hoje um festival de sopas. A participação foi de €10, com direito a 10 sopas por adulto e de €5 para as crianças, com direito a cinco sopas, incluindo pão, petiscos e sobremesa. A Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis está a desenvolver um projeto para a criação do novo espaço de estacionamento e para o Museu do Vouga. A intervenção vai abranger as duas margens da linha ferroviária e prevê a recuperação de edifícios já existentes. O Museu da Linha do Vale do Vouga vai ser integrado no espaço de um antigo armazém. O Teatro Municipal de Vila do Conde contou hoje com duas sessões do documentário "Nasa". O filme britânico estreou este ano e retrata em pormenor os mecanismos por trás dos assassinatos seletivos de palestinianos em Israel. O documentário venceu o Prêmio Especial do Júri no Festival de Veneza e o Prêmio Público para Melhor Filme Europeu no Festival Internacional de Cinema de San Sebastián. Amanhã o Tribunal Constitucional volta a realizar visitas guiadas. As visitas são abertas ao público em geral, a grupos com interesse na área de Direito e às escolas. O objetivo é aprofundar o conhecimento de todos os cidadãos sobre as funções e as competências do órgão de soberania português. Por fim, o Banco das Artes Galeria acolhe a exposição do Arquipélago Segundo Fernando Gaspar, em Leiria, a amostra celebra 40 anos de carreira do artista plástico e reúne um conjunto de pinturas e esculturas.

Ponto final nesta edição das 18h01 um pouco atrasadas. A seguir temos a segunda parte do Para Já Sporting 0, Académico de Viseu 1.