A Volkswagen acordou tarde para o fenómeno dos SUV, mas depressa se recompôs e compôs uma das gamas mais completas do mercado. A oferta cobre agora praticamente todos os segmentos, pois “a peça” que faltava acaba de ser oficialmente apresentada. Falamos do T-Cross, modelo que pode ser definido como o Arona da Volkswagen. Mas a verdade é que é bem mais do que isso pois, de uma penada, aquele que passa a ser o SUV mais barato da Volkswagen não só consegue distanciar-se esteticamente do rival espanhol, como tira partido de uma imagem que já deu provas de ser bem-recebida – a do “português” T-Roc, que é já o segundo SUV mais vendido da Volkswagen, depois do Tiguan e que fica agora meio “perdido”, entre os segmentos B (T-Cross) e C (Tiguan).

Olhando para o modelo é impossível não detectar a aplicação da ‘fórmula’ T-Roc. Tal como aliás se esperava, depois da catadupa de teasers com que a Volkswagen nos foi bombardeando nos últimos meses. As semelhanças são mais que muitas à frente, onde o T-Cross se distingue sobretudo pela nova interpretação da grelha, agora com um friso cromado a atravessá-la de uma ponta à outra, numa solução que faz sobressair o emblema ao centro. Outra das diferenças do T-Cross face ao T-Roc encontra-se logo abaixo, na inserção de plástico que promove a ligação entre as ópticas inferiores. Mas é sobretudo visto de trás que o T-Cross nos oferece a sua perspectiva mais poderosa. A Volkswagen, que é conhecida por propor modelos com uma imagem algo conservadora, ousou aqui ter um rasgo de ousadia. Literalmente, pois os farolins têm um design muito próprio, desenhando uma faixa a toda a largura do SUV, o que acaba por conferir um toque de sofisticação inesperado num modelo barato.

Quanto ao interior, dispensará grandes apresentações para quem já contactou com a nova geração do Polo. Do tablier ao painel de instrumentos, são evidentes as semelhanças entre os dois modelos, com a Volkswagen a poupar-se aqui a grandes exercícios criativos – até porque a nova geração do utilitário alemão é das que mais impressionam pela qualidade e tecnologia a bordo. A propósito, a marca enumera uma série de sistemas de assistência à condução, alguns deles pouco usuais no segmento. A lista inclui travagem de emergência com detecção de peões, cruise control adaptativo, ajuda ao arranque em subida, assistente de estacionamento e alerta de fadiga do condutor. Quem quiser ainda mais comodidade tem à disposição o sistema de acesso sem chave (mãos-livres) e, a partir do nível Sport, até o painel de instrumentos digital (Digital Cockpit).

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Compro um T-Roc, um Polo ou um T-Cross?

Esta deve ser a dúvida que vai assaltar a maioria dos potenciais clientes, sobretudo os que fizerem mesmo questão de adquirir um Volkswagen, num segmento onde já pontuam propostas como o Citroën C3 Aircross, o Ford EcoSport, o Kia Stonic, o Renault Captur e o Seat Arona. Uma vez que ainda não tivemos a oportunidade de contactar com o modelo, só nos podemos socorrer das medidas anunciadas para ajudar a uma escolha mais esclarecida.

Em termos práticos, estamos perante um Polo com uma maior distância ao solo (181 mm), pois só assim o T-Cross pode evoluir com menos queixume em pisos não asfaltados. De resto, como este SUV é construído sobre a plataforma MQB A0, a mesma que serve o Polo, a nova geração do Ibiza e o Seat Arona, as dimensões são praticamente as mesmas. Quanto ao T-Roc, é um facto que é ligeiramente maior – ou não tivesse a base Golf –, mas fica taco a taco na volumetria da mala. Contudo, para transportar os mesmos cinco ocupantes, oferecendo praticamente a mesma capacidade de bagageira, exige um investimento superior. Mas já lá vamos. Antes fique com este comparativo:

Dimensões VW T-Cross Seat Arona VW T-Roc
Comprimento 4.110 mm 4.113 mm 4.234 mm
Largura  – 1.780 mm 1.819 mm
Altura 1.573 mm 1.552 mm 1.573 mm
Entre-eixos 2.560 mm 2.566 mm 2.603 mm
Bagageira 385-455 l – 1.281 l 400 – 1.280 l 445 – 1.290 l

Mecanicamente, o T-Cross não traz novidades, propondo os já conhecidos motores a gasolina de três e quatro cilindros 1.0 e 1.5, com potências entre os 95 e os 115 cv. A diesel, a representação estará a cargo do 1.6 TDI de 95 cv.

Está previsto que a produção do T-Cross arranque já em Dezembro, na mesma fábrica de onde sai o Polo, em Navarra (Espanha), com o SUV a iniciar a sua carreira comercial logo nos primeiros meses de 2019. A Portugal, segundo apurámos, a introdução no mercado ocorrerá em Abril, com valores que se situarão entre o Polo e o T-Roc. Se quiser ter uma ideia ainda mais próxima, podemos adiantar-lhe que os preços do novo T-Cross não andarão longe dos valores exigidos por um Polo equivalente, somando-lhe 1.500€. Ou seja, cerca de 18.600€ para o gasolina mais acessível e 24.500€ para o diesel.

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