Os utilizadores do porto da Baleeira, em Sagres (Algarve) queixam-se da falta de condições de segurança, situação que a Docapesca está a tentar reverter com obras na infraestrutura, construída há 40 anos e sem intervenções desde então.

Em declarações à Lusa, o presidente da Associação dos Armadores de Pesca de Sagres, Mário Galhardo, aponta o estado de degradação das pontes-cais onde as embarcações acostam e das escadas metálicas para os pescadores acederem a terra como as situações que carecem de uma resolução mais urgente.

Em outubro, a Docapesca lançou um procedimento para a reposição das condições de embarque e desembarque dos tripulantes que operam na ponte-cais sul, com a colocação de dez novas escadas de acesso, já que, das existentes, algumas estão inutilizadas por risco de ruírem.

“Já houve alguns acidentes de homens que vinham a subir as escadas, elas partiram-se e caíram ao mar. Vá lá que caíram dentro de água, se fosse em cima dos barcos era mais complicado”, conta Mário Galhardo, sublinhando que esta é a primeira vez que estão a ser feitas melhorias no porto desde a sua construção.

A presidente do Conselho de Administração da Docapesca, Teresa Coelho, admite que não consegue “resolver todos os problemas” do porto da Baleeira (concelho de Vila do Bispo, distrito de Faro), mas assegura que a empresa que desde 2014 gere os portos e lotas portugueses está a tentar, gradualmente, repor as condições de segurança naquela estrutura.

“Fizemos um cais flutuante que permite melhores condições de acostagem e de atracação, foram colocadas defensas, adquirimos uma grua que permite melhores condições para a movimentação do pescado e, atualmente, lançámos um concurso para escadas novas no cais”, refere.

Para 2019 está previsto um investimento na ponte-cais sul de 1,2 milhões de euros, para torná-la completamente operacional, e apenas numa segunda fase será reabilitada a ponte-cais norte, interditada pela Docapesca há cerca de dois anos.

“Achámos que seria mais importante tornar uma das pontes-cais completamente operacional e, numa segunda fase, olhar para a segunda ponte, até numa perspetiva de articulação com as autoridades turísticas”, acrescenta Sérgio Faias, administrador da empresa.

No que toca ao turismo, o presidente da Junta de Freguesia de Sagres defende uma estratégia concertada para dinamizar o potencial económico do porto, que “nunca foi explorado”, já que Sagres se situa numa zona estratégica para a navegação, ao largo da qual passam diariamente dezenas de barcos.

“Todos os navios que fazem a viagem entre o Mediterrâneo e o norte da Europa passam junto a Sagres, eles só não entram aqui porque não temos condições para os abrigar”, lamenta Luís Paixão, que considera que as obras a desenvolver no porto têm de ser projetadas nesse sentido.

Um porto de abrigo que pudesse para receber visitantes, um núcleo museológico ligado ao mar no edifício onde funcionava a antiga lota ou condições para o visitante poder ver a transação do peixe são medidas que “podem demorar muito a concretizarem-se, mas que têm de ser pensadas já”, no seu entender.

De acordo com o autarca, a freguesia recebe mais de um milhão de visitantes por ano, que visitam a Fortaleza, o monumento mais visitado do Algarve, e o Cabo de S. Vicente, “mas pouco entram em Sagres”.