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Em quatro dias, o Sporting de José Peseiro pareceu fazer uma viagem de 13 anos até à temporada de 2004/05, conhecida como a “época do quase”. Nessa altura, os leões, a jogar em duas frentes (Campeonato e Taça UEFA), tão depressa conseguiam fazer exibições de encher o olho com reviravoltas históricas – exemplo paradigmático: o triunfo por 4-1 frente ao Newcastle – como, pouco depois, sofriam derrotas em jogos sofríveis, como aconteceu na receção ao Penafiel (0-2). No final ficou essa imagem da semana em que o conjunto verde e branco perdeu dois troféus em poucos dias mas foi essa irregularidade que se foi arrastando ao longo da época que acabou por ser fatídica para as aspirações da formação leonina.

Ah, é por isso que lhe chamam a noite dos horrores – e que o senhor António não merecia (a crónica do Sporting-Estoril)

Esta noite, e depois da melhor exibição de 2018/19 com o Boavista para o Campeonato, o Sporting fez provavelmente o pior jogo da temporada na receção ao Estoril para a Taça da Liga. Com muitas mudanças na equipa, é certo, mas nunca como argumento para justificar um triunfo justo do conjunto agora da Segunda Liga. Com isso, os leões voltaram a perder em casa 32 meses depois para as provas nacionais, num dos recordes negativos que foi batido nesta segunda jornada da fase de grupos da Taça da Liga. A contestação ao técnico sentiu-se como nunca até ao momento, apesar da assistência mais do que reduzida em Alvalade, entre vaias, lenços brancos e cânticos de “Já está na hora do Peseiro ir embora”.

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“Há muito tempo que contamos muito connosco. Estamos aqui na luta, a contar connosco. Quem quiser apoiar, que apoie; quem não quiser, está no seu direito. Os jogadores fizeram o melhor que puderam. Podem fazer melhor mas noutro contexto. Estamos unidos, aglutinados, a dar tudo pelo Sporting e é isso que interessa. Espero que os adeptos percebam e sintam isso e que nos apoiem”, comentou o treinador leonino na flash interview após o encontro.

Adeptos do Sporting não gostaram da exibição e do resultado e viram-se lenços brancos em Alvalade (Filipe Amorim / Global Imagens)

“Em jogos menos bons que fizemos, com o Loures e hoje, tem a ver com os jogadores que mudámos. Acho que hoje foi bom, dentro do contexto. Da primeira vez que estive no Sporting também ouvi estas contestações e chegámos à final da UEFA e estivemos próximos do título. Convivo bem com isso. O grupo está unido. Não está perdido”, acrescentou depois na conferência de imprensa, prosseguindo: “Estamos em todas as frentes. Sabemos das dificuldades, onde estamos e onde queremos chegar. Há um contexto específico, quer-se tanto vencer que às vezes esquece-se isso. Perdemos o controlo do jogo mas não nos tira a confiança. Fácil seria colocar os mesmos onze jogadores nestes três jogos. Difícil é tomar decisões importantes, usar jogadores que eram ou suplentes, ou não estavam no Sporting”.

Sobre o jogo, e um pouco contra o que se foi assistindo, José Peseiro considerou o resultado injusto para o Sporting. “Tínhamos o jogo controlado. Fizemos uma boa exibição, não jogámos mal. Tivemos uma gestão a fazer, com coisas agradáveis, outras nem tanto. A equipa tinha o jogo controlado, teve mais ocasiões e não merecia este resultado. Temos de aceitar. Dominámos, criámos mais oportunidades, diante de uma equipa que defendeu mais baixo do que estávamos à esperar porque a empurrámos, mas faltou frescura no final, pois tínhamos jogadores em campo que não têm jogador tanto. Foi uma exibição boa, mas um resultado injusto. Esta competição não acabou e ainda podemos conseguir o apuramento”, analisou.

De referir que o Sporting somou a terceira derrota nos últimos cinco jogos para quatro competições (Campeonato, Taça de Portugal, Liga Europa e Taça da Liga), tendo registado outro ponto negativo em Alvalade – foi a primeira vez que uma equipa secundária conseguiu uma reviravolta em casa dos leões. Esta noite foi mesmo de Halloween em Alvalade.