Grupos de civis norte-americanos armados estão a preparar-se e a organizar-se para receber a caravana de cerca de 6 mil migrantes oriundos da América Central que está a caminho da fronteira do México com os Estados Unidos. De acordo com o Washington Post, as pessoas estão a organizar geleiras, comida, tendas, armas e drones para formar as suas próprias caravanas e esperar pelo grupo de migrantes junto à fronteira com o México, em Rio Grande, no Estado do Texas.

Umas das pessoas entrevistadas pelo jornal norte-americano, Shannon McGauley, garante que está a planear ir para a fronteira “nos próximos dias”. “Vamos observar e reportar e oferecer toda a ajuda que pudermos. Já provámos o que valemos em situações anteriores e vamos prová-lo outra vez”, explicou. McGauley, assim como todos os outros que estão a preparar-se para receber a caravana de migrantes, viram nas palavras de Donald Trump da passada quinta-feira uma espécie de “chamada às armas”.

[Quem são os 5 mil migrantes na mira de Trump? Veja o vídeo:]

O presidente dos Estados Unidos tinha radicalizado o discurso sobre a imigração, afirmando que tinha dado instruções aos militares destacados para a fronteira para dispararem contra os imigrantes da América Central em caso de confronto. “Espero que não aconteça. Mas se alguém atirar pedras – como fizeram no México – vamos considerar que é um ataque com uma arma de fogo, porque a diferença não é muita. Querem atirar pedras aos nossos militares? As nossas forças vão responder com tiros”, garantiu Trump.

O presidente norte-americano acrescentou ainda que disse aos militares para encararem as pedras como se fossem armas de fogo e apelidou os imigrantes de “agressores violentos”, “combatentes ferozes” e “invasores”. No dia seguinte, sexta-feira, Donald Trump voltou atrás no discurso e garantiu que os militares não iriam disparar contra a caravana. Já este domingo, os soldados norte-americanos colocaram cerca de 300 metros de arame farpado ao longo da fronteira de Rio Grande, decisão que o presidente comentou: “O arame farpado, quando usado adequadamente, pode ser uma visão bonita”. 

Os soldados norte-americanos colocaram cerca de 300 metros de arame farpado junto à fronteira dos Estados com o México

Nesta altura, estão reunidos, nos estados fronteiriços com o México – Califórnia, Arizona e Texas -, cerca de 7 mil militares: aos 2.100 reservistas da Guarda Nacional ali destacados há já vários meses, juntam-se agora mais 5.239 soldados. É este o comando militar que vai chefiar a “Patriot Mission”, missão patriota, em português, destinada a deter a caravana de imigrantes da América Central.

Sobre o número de civis que podem estar a caminho da fronteira, Shannon McGauley garante que não consegue “dar um número” mas tem “a certeza” de que serão mais de 100. “O meu telemóvel tem estado a tocar sem parar há sete dias. Há outras milícias, e maridos e mulheres, pessoas do Oregon, do Indiana. Até temos dois do Canadá”, explicou o norte-americano ao Washington Post. Sobre se os grupos de civis estão a planear ir armados, a resposta foi simples: “Isto é o Texas”.

Trump critica México por não deter caravanas de migrantes com destino aos EUA

A reunião de civis armados, militares, agentes de segurança da fronteira e imigrantes levou os serviços de informação do Exército norte-americano a emitir um alerta aos principais comandantes e líderes militares. De acordo com a Newsweek, o Exército está preocupado com a chegada de “milícias não reguladas que querem alegadamente apoiar” as forças de segurança junto à fronteira.

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