Ambiente

Presidente da Quercus admite vender ao dono de uma zona de caça terrenos comprados com donativos

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O dono de uma zona de caça fez uma oferta para comprar terrenos da Quercus junto ao Tejo. O presidente da associação defende a venda. Quem doou dinheiro para a compra dos terrenos lançou uma petição.

A vermelho os terrenos da Quercus no Parque Natural do Tejo Internacional

D.R.

Uma petição “Contra a venda de terrenos da Quercus no Tejo Internacional a uma zona de caça” tinha, à hora da publicação deste artigo, mais de 600 assinaturas recolhidas. O presidente da associação, João Branco, disse ao Observador que as informações na petição são falsas e que servem apenas para difamar a associação. O Observador falou com um dos signatários da petição, que preferiu não ser identificado, que diz que o que interessa é que a petição cumpra o objetivo: evitar que os terrenos sejam vendidos.

Os terrenos, localizados junto ao rio Tejo em pleno Parque Natural do Tejo Internacional, começaram a ser adquiridos no final da década de 1980. O objetivo da Quercus na altura era a conservação da natureza e das espécies que aí viviam. E foi com esse objetivo que muitos cidadãos e sócios, incluindo Artur (nome fictício do signatário que pediu para não ser identificado), organizações internacionais e a Comissão Europeia deram dinheiro à associação ambientalista. O Projeto Tejo Internacional terminou a primeira fase a 31 de dezembro de 1993 com uma distinção da The Conservation Foundation e Ford — um galardão de prata.

Agora, Artur diz que os terrenos vão ser vendidos a uma zona de caça desvirtuando o princípio para que foram adquiridos. “O objetivo de assinar a petição é obrigar a direção [da Quercus] a ouvir os cidadãos que deram dinheiro para comprar os terrenos”, diz ao Observador. O presidente da associação, por sua vez, diz que os terrenos em questão podem até nem ter sido adquiridos com este dinheiro, mas com fundos próprios da Quercus.

Não estamos a dar importância nenhuma”, diz João Branco, ao Observador. “Trata-se de uma campanha com objetivos pouco claros.” Ao Público refere que pode estar relacionado com as eleições da Quercus que vão acontecer em março do próximo ano.

O presidente da Quercus esclarece ao Observador: “É verdade que recebemos uma proposta de um proprietário que tem uns terrenos da Quercus, de pequenas dimensões, encravados no interior da propriedade dele. Mas ainda não decidimos nada.” Esse proprietário, confirmou João Branco, é dono da zona de caça que envolve os terrenos da associação ambientalista.

A decisão ainda não está tomada, mas pode estar para breve, segundo o autor da petição. “Quando os terrenos foram comprados era preciso que a compra fosse aprovada em Assembleia Geral. Agora, depois das mudanças nos Estatutos, basta ter um parecer favorável do Conselho Fiscal.” O sócio Artur admite ao Observador que receia que o Conselho Fiscal dê um parecer favorável a esta venda. João Branco esclarece que sem parecer favorável do Conselho Fiscal o “assunto morre aqui” e que mesmo que tenha parecer positivo ainda tem de ser votado pelos nove membros da direção. Os sócios não são chamados a decidir sobre a venda, mas podem pedir para levar o assunto a Assembleia Geral.

“Se depender do meu voto é para vender estes terrenos pequenos junto ao rio e comprar outros junto às áreas maiores”, diz João Branco. O presidente explica que prefere aumentar as áreas do Monte Barata e Monte Lopes onde a Quercus tem um projeto de Turismo de Natureza, porque é mais fácil fazer alguma coisa numa área maior do que em várias áreas muito pequenas.

O signatário da petição lembra que estes dois montes estão mais longe do rio e que, ecologicamente, são menos valiosos. “O Tejo Internacional, ao contrário do Douro Internacional, tem défice de escarpas, portanto são todas importantes para conservação.” E são exatamente estes os terrenos que podem vir a ser vendidos. Mas enquanto Artur fala em cerca de 20 terrenos, João Branco diz que serão só dois junto ao rio.

O presidente da Quercus diz ao Público que já não existem aves a nidificar nessas escarpas com estatuto de conservação desfavorável. Ao Observador refere que é indiferente, para a conservação destas aves, se o terreno é da Quercus ou de outro proprietário porque as espécies estão protegidas por lei.

Já Artur, o signatário que pediu para não ser identificado, contrapõe que mesmo que não haja aves a nidificar agora, podem voltar a existir se lhes foram dadas as condições, mas duvida que numa reserva de caça isso possa acontecer.

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