Futebol

Benfica é a única SAD que não está dependente da venda de jogadores: uma radiografia às contas dos grandes

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Estudo do Observatório do Futebol da Universidade Europeia analisou finanças de FC Porto, Benfica e Sporting para comparar estabilidade das sociedades e traçar estratégias financeiras e desportivas.

Danilo é mais um dos jogadores que o FC Porto não detém na totalidade; Rafa foi o maior investimento do Benfica no mercado nacional

AFP/Getty Images

O Benfica é a única SAD dos três “grandes” que não se encontra dependente no plano financeiro da compra/venda de jogadores e que tem conseguido reduzir o seu endividamento; o FC Porto tem a folha salarial mais elevada apesar de não deter a totalidade dos passes de muitos jogadores; o Sporting é a sociedade que sente maior pressão da folha salarial nas suas contas, sobretudo depois do acentuado decréscimo verificado pelos rivais diretos nas últimas épocas, nomeadamente os azuis e brancos.

Estas são apenas algumas das conclusões de um primeiro estudo apresentado pelo Observatório do Futebol da Universidade Europeia, que analisou os relatórios dos últimos três exercícios (excluindo para este efeito os números já conhecidos relativos ao primeiro trimestre de 2018/19) no sentido de comparar a estabilidade financeira das SAD de FC Porto, Benfica e Sporting e identificar a estratégia financeiro-desportiva em que cada uma se enquadra, à luz de quatro variáveis previamente definidas: o endividamento; a pressão da folha salarial; a dependência da venda de jogadores; e a comparação valor-custo do plantel. Para tal, foram utilizados como base os relatórios e contas anuais auditados e disponíveis na CMVM.

Rácio de endividamento

Em relação ao rácio de endividamento, FC Porto e Sporting surgem numa situação de falência técnica por terem montantes de financiamento por capital alheio superiores ao valor do ativo. Uma realidade que, sendo comum nos últimos anos, vai tendo também variações – por exemplo, a sociedade verde e branca, que tinha uma diferença negativa de 14 milhões, recuperou para uma posição positiva com os 16 milhões de lucro no primeiro trimestre, que serão reforçados com o acordo de venda de Patrício ao Wolverhampton que entrará apenas no resultado semestral. Ainda assim, as causas são distintas: os leões registaram uma redução de atividades comerciais correntes e vendas de jogadores, ao passo que os dragões aumentaram o passivo não corrente em sede de empréstimos bancários.

Por seu turno, o Benfica tem vindo a conseguir reduzir de forma significativa o seu endividamento graças à redução de passivo, que baixou 40 milhões no último exercício em estudo (de 438 milhões de euros em 2017 para 398 milhões em 2018).

Pressão da folha salarial

Ao contrário do que acontecia há algumas épocas onde houve um maior investimento neste capítulo, o Benfica é nesta altura a SAD que apresenta uma estrutura salarial mais baixa, embora não exista propriamente uma grande diferença em relação aos dois rivais: 68 milhões de euros, contra 78 milhões do FC Porto (que tem vindo a baixar a esse valor, até pelos condicionamentos a nível das regras do fair play financeiro) e 74 milhões do Sporting, que fez um curva ascendente de investimento nas últimas cinco temporadas após uma forte redução para quase metade de 2012/13 para 2013/14.

Este valor tem um reflexo mais notório na medida em que os encarnados têm o maior rendimento extra venda de jogadores (122 milhões de euros), onde se inclui também as receitas provindas dos direitos televisivos. Já o Sporting surge neste estudo como o clube com menor nível de receitas excluindo proveitos com alienação de passes, também por culpa dos prize moneys mais reduzidos no que diz respeito à participação nas competições europeias. De referir que a UEFA e a ECA (European Club Association) recomendam que o rácio da pressão da folha salarial não ultrapasse os 70%.

Dependência da venda de jogadores

De forma assumida e também por estratégia financeira e desportiva, o FC Porto é a sociedade entre os três grandes que de forma mais assumida apresenta maior necessidade de vender jogadores no final da temporada, sendo também reconhecida no plano europeu pelo valor elevadíssimo de alienações conseguido sobretudo nos últimos 15 anos, altura em que José Mourinho conseguiu em duas temporadas ganhar não só o Campeonato mas também a Taça UEFA e a Liga dos Campeões.

Os dragões são a SAD com maiores gastos excluindo transações de atletas, no valor de 134 milhões de euros, superior a Benfica e Sporting com 116 e 110 milhões, respetivamente; em paralelo, os rendimentos do Benfica também sem transações são superiores a FC Porto e Sporting, com 107 e 92 milhões, respetivamente. Entre as duas realidades, os encarnados surgem como a única sociedade com resultados positivos sem vendas de atletas, não estando assim dependente dessas mais valias ao contrário do FC Porto (que ainda assim sofreu uma evolução notória neste aspeto entre 2015/16 e 2016/17) e Sporting.

Relação valor-custo do plantel

Neste particular da relação entre o valor global do plantel e o custo que tem para cada sociedade, Sporting e Benfica demonstram uma melhor otimização naquilo que pode ser considerado como a relação custo-benefício do seu plantel através de dois caminhos distintos: por um lado, os leões fizeram o investimento em jogadores que aumentaram o valor do plantel sem o mesmo reflexo a nível dos ordenados e encargos que têm com os mesmos; já as águias diminuíram o valor do plantel em consonância com a folha salarial, por “culpa” do peso contabilístico nulo que os jogadores formados no clube têm.

Por outro lado, a linha do FC Porto neste campo sofreu um decréscimo na última temporada, também pelo número de jogadores que não pertencem na totalidade aos azuis e brancos.

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