Foi em 2010 que a Land Rover atirou uma pedra no charco. As águas calmas do segmento dos SUV compactos agitaram-se com a entrada em cena do Range Rover Evoque, que veio inaugurar a presença dos premium neste mercado. E o resultado fez maravilhas às contas do construtor britânico, com vendas superiores a 772.096 unidades e mais de 217 prémios internacionais.

Ora, essa herança pesou decididamente no desenvolvimento da segunda geração do SUV britânico, o que é evidente na forma conservadora como as equipas de design revisitaram o projecto. Salta à vista que o novo Evoque pouco muda face ao anterior, opção essa que é assumida pela própria Land Rover, com a marca a preferir falar numa “uma evolução sofisticada do perfil distinto do coupé, caracterizada pelas suas linhas do tejadilho descendente e linha de cintura ascendente que identificam a família Range Rover”.

Esteticamente, não só o novo Evoque lembra de imediato o modelo que vem substituir, como as alterações que foram introduzidas parecem importadas do Velar. Vejam-se, por exemplo, as semelhanças no desenho das ópticas e a integração dos puxadores das portas retrácteis.

Se por fora o SUV compacto de luxo acusa alterações mínimas, a realidade é que há mudanças e das profundas. Desde logo, porque esta nova geração assenta numa nova base, a chamada Arquitectura Transversal Premium da Land Rover, que não só está preparada para a electrificação, como veio permitir que o novo Evoque ofereça mais espaço interior e maior volumetria da bagageira, pese embora as dimensões sejam praticamente as mesmas (4,37 metros de comprimento, 1,90 m de largura e 1,65 m de altura).

Sob a pele exterior do novo Evoque encontra-se uma revolução mecânica e técnica. A arquitectura é completamente nova para permitir a electrificação e apenas as dobradiças das portas se mantêm inalteradas”, sublinha o engenheiro de produto da Jaguar Land Rover, Nick Rogers.

O aumento da distância entre eixos em 20 mm resultará numa maior comodidade de quem viaja, oferecendo um pouco mais de espaço para as pernas para os ocupantes dos lugares posteriores e, também, soluções de arrumação mais optimizadas – o porta-luvas é maior e o compartimento central passa a fornecer espaço para um tablet, uma bolsa ou garrafas. Lá atrás há igualmente ganhos, pois a bagageira agora oferece 591 litros de capacidade, podendo chegar aos 1.383 litros, com o rebatimento da segunda fila de bancos (40:20:40).

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De acordo com a Land Rover, a nova plataforma é 13% mais rígida do que a anterior e filtra melhor o ruído e as vibrações que chegam ao habitáculo, estando apta a receber motorizações mais amigas do ambiente pois, segundo a marca, “é isso que os clientes querem”. Daí que a evolução mais significativa nesta nova geração do Evoque seja a introdução de um sistema mild hybrid de 48 V, uma estreia na gama do fabricante britânico.

Basicamente, esta solução aproveita a energia que normalmente é desperdiçada na desaceleração, recorrendo a um motor de arranque/gerador accionado por correia e armazenando essa energia numa bateria (14 células de 8Ah cada) que se encontra sob o piso do veículo. No arranque, essa energia serve para auxiliar a aceleração e reduzir o consumo de combustível e, quando a circular a velocidades inferiores a 17 km/h, o motor desliga-se – mais uma vez, visando menores emissões e maior poupança. Enquanto a versão mild hybrid está disponível, logo desde o lançamento (Março de 2019), em todos os motores de quatro cilindros Ingenium diesel (150, 180 ou 240 cv) e a gasolina (200, 250 ou 300 cv) com caixa automática, a versão híbrida plug-in do Evoque, com um motor de três cilindros a gasolina, só chegará um ano depois.

Em matéria de todo-o-terreno, há dois sistemas de tracção integral: Driveline Disconnect e Active Driveline (este exclusivo das versões mais potentes da gama). O primeiro só permite tração nas rodas dianteiras se as condições permitirem, ao passo que o segundo complementa isso com duas embraiagens multidisco no diferencial traseiro, que fazem variar a distribuição do binário nas rodas desse eixo, em função das condições de aderência. Fora isso, o novo Evoque tira partido do Terrain Response 2, sistema que detecta automaticamente o tipo de superfície e ajusta o funcionamento do motor e da caixa de velocidades, entre outros, às exigências do momento. Com uma distância ao solo de 21,2 cm, o SUV diz ainda ter melhorado na capacidade de passagem a vau, que agora é de 600 mm (100 mm a mais do que no modelo anterior).

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Espelho meu, haverá quem veja como eu?

Não. A Land Rover volta a inovar ao integrar num modelo de produção em série uma tecnologia até agora apenas apresentada em protótipos. Chama-se Ground View e oferece isso mesmo: o condutor pode ver o que se passa sob o veículo, como se o carro fosse transparente, imagem essa que é projectada no ecrã táctil, sendo “construída” graças a três câmaras (uma na grelha e uma em cada um dos retrovisores exteriores).

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Simultaneamente, a capacidade de ver mais e melhor estende-se ao espelho retrovisor interior, que se converte num ecrã de vídeo de alta definição, onde podem ser exibidas imagens captadas por uma câmara na traseira, o que constitui uma importante ajuda quando os passageiros ou a carga dificultam a visão para trás. De acordo com a Land Rover, a tecnologia ClearSight “proporciona um campo de visão mais amplo (50 graus) e uma visibilidade superior em condições de luz ambiente reduzida”.

Ainda sem preços definidos, sabe-se que o novo Evoque chega aos concessionários portugueses em Março do próximo ano.