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Alterações Climáticas

David Attenborough. “O colapso da nossa civilização” está no horizonte

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O naturalista britânico apontou o dedo aos líderes mundiais presentes na Cimeira do Clima, em Katowice. "Estamos a assistir a um desastre global feita pelo homem", disse Attenborough.

"Líderes do mundo, vocês têm de liderar. A continuação da civilização e do mundo natural, do qual nós dependemos, está nas vossas mãos", concluiu Attenborough na sua apresentação.

AFP/Getty Images

Se os governos nada fizerem, a civilização e o mundo natural estão em risco de colapsar. O alerta foi feito pelo naturalista britânico, David Attenborough, durante a Cimeira do Clima que decorre em Katowice, Polónia, nesta segunda-feira. “Neste momento, estamos a assistir a um desastre global, feito pelo homem, e que é a maior ameaça que enfrentámos em milhares de anos: as alterações climáticas”, disse o britânico de 92 anos. “Se não fizermos nada, o colapso da nossa civilização e de boa parte do mundo natural está no horizonte.”

David Attenborough, o histórico apresentador e narrador de programas sobre a vida selvagem da BBC, foi escolhido para representar a voz das pessoas do mundo — que, de forma simbólica, tinham uma cadeira reservada na plateia — na 24.ª Cimeira da ONU para o Clima (COP24). Um dos principais objetivos da conferência é encontrar formas de aplicar o Acordo de Paris, celebrado em 2015.

A forma encontrada pelas Nações Unidas para dar voz aos anónimos foi, dias antes do arranque da conferência, pedir a pessoas de todo o mundo que enviassem as suas mensagens para que estas pudessem ser apresentadas aos cerca de 200 representantes de governo reunidos na Polónia.

E foi através de uma montagem que a plateia pode assistir às mensagens vindas de todos os cantos do planeta. “Não vêm o que se passa  à vossa volta?”, pergunta uma jovem nesse vídeo de quase dois minutos. “Já estamos a ver o impacto das alterações climáticas na China”, diz outra jovem. “Isto costumava ser a minha casa. E esta a dos meus vizinhos”, diz outra, apontando para ruínas queimadas pelo fogo.

“Há dias em que tenho dores de cabeça por causa da poluição”, diz um homem. “Eu exijo uma ação e uma movimentação do meu governo”, diz, em português do Brasil, uma outra mulher. “Não é o vosso futuro que estão a vender, por isso, por favor, não o vendam”, diz uma criança, cujo depoimento finaliza o vídeo.

Nesta montagem são também apontados números: 95% dos inquiridos dizem já ter vivenciado de alguma forma as alterações climáticas, enquanto dois terços concluem que esta é a maior ameaça que o mundo enfrenta.

“As pessoas do mundo falaram: o tempo está a esgotar-se. Elas querem que vocês, os tomadores de decisão, ajam agora. Líderes do mundo, vocês têm de liderar. A continuação da civilização e do mundo natural, do qual nós dependemos, está nas vossas mãos”, concluiu Attenbrough na sua apresentação.

Na manhã de segunda-feira, também António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, se dirigiu à plateia em tom dramático para dizer que o que está a ser feito não é ainda suficiente.

“Este é o desafio sobre o qual os líderes desta geração serão julgados”, disse António Guterres. “Estamos em grandes apuros”, sublinhou. “Para muitas populações, [as alterações climáticas] já são uma questão de vida ou de morte”, sublinhou o antigo primeiro-ministro português.

Para o secretário-geral da ONU, que diz ser “difícil exagerar a urgência” de atuar no imediato, os governos ainda não estão a fazer o suficiente para combater aquele que disse ser “o problema mais importante com que nos deparamos” neste momento.

Na manhã de segunda-feira, o Banco Mundial anunciou que vai mobilizar 200 mil milhões de dólares (176,6 mil milhões de euros) de 2021 a 2025 para ajudar os países em desenvolvimento a lidarem com as alterações climáticas. O financiamento quinquenal representa o dobro do investimento feito de 2017 a 2025. O anúncio “envia um sinal importante para a comunidade internacional fazer o mesmo”, apontou o Banco Mundial em comunicado.

A COP24 decorre até dia 14 de dezembro em Katovice. As novas tecnologias favoráveis ao clima, a população como líder da mudança e o papel da floresta são os temas centrais que a Polónia quer ver discutidos na reunião mundial do clima que começou no domingo, mas cuja cerimónia oficial de abertura aconteceu esta segunda-feira. Acima de tudo, o encontro servirá para encontrar formas de aplicar o Acordo de Paris, celebrado em 2015.

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