O secretário executivo da ONU para as Alterações Climáticas pediu esta segunda-feira às principais empresas tecnológicas que aumentem o empenho e envolvimento no combate às alterações climáticas, apontando que a inteligência artificial (IA) é um “grande consumidor de energia”.

Simon Stiell falava na abertura de uma cimeira em Nova Iorque de Aceleração Industrial, do Acelerador de Transição Industrial, uma iniciativa lançada em 2023 no Dubai, na cimeira da ONU sobre o clima (COP28), para incentivar a descarbonização dos grandes poluidores mundiais.

O responsável destacou que a IA está a aumentar a poluição gerada pelo carvão, petróleo e gás – que aquecem o planeta – e a aumentar os custos de energia para as casas e empresas.

Afirmando que os líderes do setor da IA “estão agora em terreno instável” porque “estão a perder o apoio público”, acrescentou: “Os gigantes da tecnologia precisam de começar a demonstrar porque é que os benefícios da IA superam os seus custos exorbitantes”.

Simon Stiell pediu às empresas tecnológicas que assumam um maior compromisso com a ação climática, pois “se a inteligência artificial consegue resolver um problema matemático com 90 anos numa questão de dias, pode fazer muito mais para enfrentar os principais desafios climáticos”.

Especialmente, disse, para alavancar os esforços para melhorar os sistemas de alerta precoce para desastres climáticos ou acelerar a eficiência da rede elétrica.

O responsável destacou também a importância da energia renovável, que evita gastos de milhões em combustíveis fósseis, e recordou que no ano passado a capacidade renovável adicionada atingiu um recorde histórico de 693 gigawatts.

“Qualquer líder que leve a sério o combate à inflação, a construção de economias fortes e a proteção dos seus cidadãos deve comprometer-se seriamente em reduzir a utilização de combustíveis fósseis que aquecem o planeta e que estão a impulsionar esta crise climática, bem como em promover a resiliência”, afirmou.

Lembrando o objetivo mundial de limitar o aquecimento da temperatura a 1,5ºC (graus Celsius) em relação à época pré-industrial, Simon Stiell alertou que a meta não será alcançada. “Já é certo que esse limite será ultrapassado, pelo menos temporariamente”.

No entanto, sublinhou que “a cooperação impulsionada pela ONU e os esforços nacionais” reduziram a projeção de um aumento da temperatura global de mais de 4 graus para 2,6 graus.

“Este é um progresso inegável, embora insuficiente para evitar uma catástrofe”, lamentou.

Simon Stiell elogiou a presidência turca da próxima cimeira da ONU do clima, a Conferência das Partes (COP31), que se realizará na Turquia, por ter estabelecido o objetivo de que a eletricidade atinja 35% do consumo global de energia até 2035.

A COP31 realiza-se de 9 a 20 de novembro em Antália, no sudoeste da Turquia.