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Um lince ibérico foi encontrado morto com o corpo cravejado por 300 partículas de chumbo, denunciou nas redes sociais o biólogo Miguel Simón, diretor do programa Life+Iberlince. Marvel, um lince ibérico macho de três anos, foi encontrado na região de Córdoba na sexta-feira. A necropsia do animal sugere que foi morto com tiros de espingarda de caça por alguém que estaria muito perto dele. Cada ponto branco na radiografia aqui em baixo é um pedaço de chumbo.

O cadáver de Marvel foi avistado graças o colar transmissor que trazia ao pescoço, um aparelho usado pelas instituições de preservação da natureza para monitorizarem a espécie e perceberem a evolução dela. Esta é a 30ª morte de um lince ibérico este ano, 27 das quais foram provocadas por atropelamento. Este ano foi o segundo pior para a sobrevivência dos linces ibéricos, uma espécie em perigo de extinção, apenas ultrapassado pelas 58 mortes registados em 2017.

As últimas estatísticas contabilizam 650 linces ibéricos entre Portugal e Espanha, mas a tarefa de proteger a espécie é cada vez mais difícil, desabafou Miguel Simón no Twitter: “Acontecimentos assim são dramáticos para o esforço de dois países e 22 sócios”, escreveu ele. À TSF, a secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza confirmou a morte de Marvel e acrescentou que o animal deve ter sido abatido com armas de caça preparadas para espalhar partículas de chumbo.

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Célia Ramos ainda acrescentou que  “as autoridades espanholas farão todos os esforços para apurar até às últimas consequências” quem está por detrás da morte do lince ibérico Marvel. A necropsia do animal está a ser feita em Espanha, mas Portugal vai acompanhar todo o processo: “Os linces ibéricos não conhecem fronteiras, portanto, trata-se de um animal que é nosso, da humanidade”, declarou a secretária de Estado à TSF.