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O Ministério Público (MP) não autoriza a cremação de Maria Helena Cabrita, avó de Lara, que foi esfaqueada até à morte na passada segunda-feira pelo ex-genro, Pedro Henriques. A decisão de que o corpo não poderia ser cremado, como era desejo da própria, foi conhecida na passada quinta-feira através de uma notificação do Tribunal do Seixal, apurou o Observador junto de fonte ligada do processo.

Esta sexta-feira, a família dirigiu-se novamente a este tribunal para tentar alterar esta decisão e, assim, fazer cumprir o desejo de Maria Cabrita. Em vão. O Ministério Público parece estar irredutível, o que implica que o corpo seja enterrado.

O MP justifica a recusa de cremar o corpo com a destruição de eventuais provas. Isto porque, sendo um caso de morte violenta, terá sempre de ser admitida a possibilidade de o corpo ainda ter de ser usado em futuras diligências de investigação — o que seria impossível no caso de cremação. O mesmo tribunal terá, no entanto, dado autorização que Lara, a neta de Maria Helena também ela morta pelo pai, Pedro Henriques, fosse cremada.

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Relatório médico não apontava para a cremação do corpo

Esta decisão do MP terá sido sustentada por um relatório médico-legal que recomendava que o corpo de Maria Helena não fosse cremado. “A informação, que não era claramente favorável à cremação, terá conduzido a que não fosse autorizada essa mesma cremação”, revelou fonte da Polícia Judiciária (PJ) ao Observador.

A recusa de cremação dos corpos é habitual em casos em que há duvidas em relação ao suspeito ou quando não se sabe do paradeiro do mesmo — o que não se aplica nesta situação, segundo confirmou a mesma fonte. “Este caso está esclarecido. Não há dúvida que foi o pai da criança e o genro da senhora que as matou“, revela a mesma fonte, adiantando que estão “seguros” de que não há mais envolvidos neste crime.

Ainda assim, “uma morte violenta implica esse tipo de cautelas e prudências“. Não que haja alguma “réstia” de dúvidas, mas porque “uma cremação inviabiliza completamente qualquer outra diligência no futuro”, como a exumação. Por absurdo, se, no futuro, o caso fosse reaberto por se ter encontrado um cúmplice, por exemplo, poderia ser necessário fazer novos exames ao corpo — e é isso que, na prática, leva a esta decisão do MP.

Embora a PJ não tenha posição determinante na recusa ou não da cremação, os inspetores envolvidos no caso foram consultados pelo Ministério Público.

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Os corpos serão libertados para as cerimónias fúnebres este sábado, dia 9 de fevereiro, e chegarão à igreja do Bom Fim às 9h da manhã. Serão enterrados no cemitério da Amora no mesmo dia.