Para criar o Mate X, com ecrã dobrável, foram precisos três anos e milhares de milhões de euros, afirmou Richard Yu, presidente executivo da Huawei, este domingo numa conferência de imprensa na qual o Observador participou. Foi possível experimentar o Mate X e perguntar ao responsável máximo dos produtos para consumidores da Huawei o que os levou a criar um smartphone de 2300 euros. “Queremos ser os melhores”, disse.

A maior concorrente da empresa chinesa, a sul-coreana Samsung, pode ter anunciado um modelo dobrável na semana passada, o Galaxy Fold. Mas a Huawei aproveitou a oportunidade para, este domingo, mostrar que tem um modelo mais fino e com um ecrã dobrável maior.

“Resiste até 100 mil dobras”, promete Richard Yu, que várias vezes dobrou e desdobrou os ecrã de 6,4 e 8 polegadas deste smartphone. “Acho que é suficiente”, brincou .

[No GIF, Richard Yu mostra o Mate X a dobrar-se:]

Além do preço exorbitante, cerca de 300 euros mais caro do que o Fold, este modelo só deve estar disponível nas lojas a partir de junho (o Galaxy chega ao mercado a 26 de abril). Mesmo assim, foi possível comprovar que este modelo já está preparado para chegar ao consumidor.

Com três câmaras traseiras com ecrã completo e frontais quando o equipamento está dobrado, este é um smartphone que faz tudo que os outros fazem. As apps “vão funcionar quase todas” e outras, como o YouTube, adaptam-se facilmente ao tamanho extra que ganham com o Mate X.

[Richard Yu elogiou o produto como sendo “inovação da Huawei”, por ser mais fino do que a concorrência:]

A opção de não ter uma câmara frontal para quando o ecrã está desdobrado existe para evitar o bloqueio do ecrã, como fazem os notches — entalhes ou saliências no topo dos smartphones atuais — afirmou o executivo. Além disso, o equipamento vem já equipado com antenas 5G, as novas infraestruturas de redes ultra-rápidas que vão substituir o 4G e que, a partir de março, vão começar a aparecer em alguns países (em Portugal, só em 2020, e é se tudo correr bem).

O smartphone dobrável vai ser “o novo standard”, diz Yu. Contudo, com um preço de 2300 euros, o executivo espera vender apenas um milhão de unidades. O objetivo é, até ao final do ano, disponibilizar um equipamento com a mesma tecnologia mas com um preço mais acessível, assumiu ainda Yu. “A tecnologia tem de estar acessível a todos”, desabafou.

A curta experiência de pegar e mexer neste smartphone é bastante interessante. Apesar de ser leve e ter um aspeto frágil, ao dobrar e desdobrar sente-se a estrutura em metal resistente. O que gerou mais interesse foi a dobra do meio do ecrã, quando aberto perante todos os jornalistas presentes: porque a verdade é que se nota muito pouco que existe essa dobra. Quando está fechado, há uma patilha que é preciso carregar para voltar a abrir (e para evitar que se abra sozinho).

Quanto à verdadeira resistência em ambiente de utilização normal, só a vamos conhecer a partir de junho, quando for possível usar o Mate X por mais do que uns simples minutos. Contudo, quanto ao ecrã tátil, podemos já afirmar que é bastante semelhante em qualidade e tempo de resposta ao que já se encontra atualmente em telemóveis topo de gama — tanto dobrado como desdobrado.

A desconfiança da Huawei que vem de um país “de nome socialista”

Qualquer evento da Huawei envolve sempre uma questão incómoda para a empresa (e que vai ser difícil resolver): confiar ou não confiar? O fabricante tecnológico, que está sediado na China, tem sido barrado nos Estados Unidos da América por pressão política e está no centro de uma guerra comercial devido à sua tecnologia 5G que quer implementar contra outras empresas.

“Estas questões políticas não são boas”, responde rapidamente Richard Yu quando questionado pela primeira vez sobre a forma como lidam com a situação que levou a diretora financeira da Huawei a ser detida no Canadá.

Parecemos ter uma ideologia [socialista]… Mas a China só é socialista de nome, somos uma economia. Atualmente, estamos abertos. Pensam que a Huawei podia seguir alguma ideologia, mas a Huawei é uma empresa globalizada”, disse Richard Yu, presidente executivo da Huawei Consumer Business Group (a secção da empresa focada em produtos para consumidores, como smartphones e routers)

Mais uma vez, o presidente executivo assegurou que a empresa não dá acesso à informação guardada nos telemóveis “a nenhum país, nem à China”. Ainda assim, Richard Yu não falou sobre o contexto jurídico do país e o respetivo enquadramento da empresa (os EUA e outros países defendem que o governo chinês é soberano sobre a empresa e sobre os dados com os quais trabalha).

Em várias conferências, Yu tem vindo a defender a camisola que veste na mesma empresa onde trabalha há 26 anos. “O meu passado é tecnologia e engenharia, juntei-me a esta empresa quando ainda não era conhecida”, disse. Em março de 2018 defendeu a mesma ideia.

Veja, na fotogaleria do topo do artigo, as imagens da conferência de imprensa em que experimentámos o smartphone com ecrã dobrável Mate X

*O Observador está no Mobile World Congress a convite da Huawei Portugal