O Governo espanhol lamenta o cancelamento do Mobile World Congress, em Barcelona, mas afirma não haver razões de saúde pública que justifiquem a decisão. O maior evento da indústria de smartphones estava agendado para a semana entre 24 e 27 de fevereiro, mas foi cancelado na quarta-feira depois de várias empresas tecnológicas terem anunciado publicamente que já não iam participar no evento por estarem receosos com o coronavírus.

“O governo considera que o que motivou o cancelamento do Mobile World Congress não foram razões de saúde pública em Espanha. O governo lamenta a decisão, comunicada oficialmente na manhã desta quinta-feira, e felicita o facto de a a organização do MWC ter anunciado que mantém o seu compromisso de continuar a celebrar esta feira tão importante em Barcelona nas próximas edições”, lê-se no comunicado enviado pelo governo.

O executivo liderado por Pedro Sanchez diz que, de acordo com a informação que está disponível e com o que ouviu de especialistas, não havia motivos de saúde pública para que o evento não se realizasse. “Espanha conta com um sistema nacional de saúde de atenção universal, reconhecido a nível internacional, que oferece plenas garantias sanitárias em situações como a atual.”

Garantindo que o governo seguiu todas as recomendações da Organização Mundial de Saúde, o comunicado acrescenta que só houve dois casos de pessoas infetadas com coronavírus confirmados em Espanha, de pessoas que permanecem sem sintomas e que foram alvo de contágio fora do país.

Na quarta-feira, a organização do Mobile World Congress, a GSMA, cancelou o seu evento anual — para o qual eram esperadas 100 mil pessoas — devido ao surto do novo coronavírus. Esta decisão vai comportar custo avultados. O El País diz iaque, só para os participantes, terá um custo de 500 milhões de euros e ninguém sabe ainda quem poderá ser responsável por estas despesas — se as empresas ou a organização do evento. O seguro do evento não cobre contingências como uma pandemia.