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Escola João de Deus fez compras de milhares de euros em marcas de luxo

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IPSS João de Deus fez compras em marcas de luxo como a Prada. Diretor pediu dinheiro aos pais para comprar a Casa do Poeta João de Deus, mas quer vender imóvel por mais 700 mil euros.

Tony Dias

A Associação de Jardins-Escolas João de Deus tem marcas de luxo, como a Alfonso Domínguez e a Prada, na lista de fornecedores, revela uma investigação do programa “Sexta às 9” da RTP. Há faturas que, somadas, ascendem aos milhares de euros, diz a reportagem. Uma delas indica a compra de um vestido de mais de 600 euros na marca italiana Prada. Em declarações ao programa, António Ponces de Carvalho, diretor da Associação, garante não ter conhecimento dessa compra.

Segundo Ponces de Carvalho, “quando soube dessa informação fiquei de queixo caído. Fiquei completamente estupefacto. Pedi à contabilidade para que varresse as milhares de faturas que temos”. Essa compra “foi a decisão da diretora de um jardim-escola que servia para premiar uma funcionária da associação”. António Ponces de Carvalho diz que tomou a decisão de “acabar com a prática”. “Nada disto foi dado por mim. Não havia regras em relação às prendas. Quando soube disto foi dada a indicação para terminar”, afirmou o diretor da escola.

No entanto, António Ponces de Carvalho está envolvido noutra polémica. De acordo com a RTP, a direção da Associação pediu dinheiro aos pais dos alunos com o objetivo de comprar a Casa do Poeta João de Deus ao Patriarcado de Lisboa, que era proprietário do edifício deste 1971. O prédio foi comprado o ano passado por 1,2 milhões de euros e pago com um cheque a pronto. Mas nove meses depois voltou a ser posto à venda, desta vez sem a parte do museu, por 1,9 milhões de euros. Ou seja, por mais de 700 mil euros.

Essa não era a primeira vez que o diretor da Associação fazia negócios com o Patriarcado. De acordo com a RTP, também já lhe tinha comprado um palacete através de um empréstimo cedido pela Caixa Geral de Depósitos em condições excecionais: o banco financiou a 100% o valor da compra e concedeu-lhe um spread de 0,25%, o que resultou uma taxa de juro final de 5,25%. António Ponces de Carvalho pagaria ao banco 6.650 euros mensais pelo empréstimo. Agora pagará 4.500 euros.

Segundo a investigação do “Sexta às 9”, Ponces de Carvalho também ganhará mais do que a lei permite: 12 mil euros, quando o diretor de uma IPSS devia ganhar no máximo 1.640 euros. “Adorava ganhar 12 mil euros. Não ganho”, diz, refutando as alegações. Embora não tenha avançado o valor do seu salário, o gestor diz que recebe uma remuneração enquanto diretor da Escola Superior de Educação. Questionado sobre a remuneração extra que receberá, Ponces de Carvalho nega receber mais dinheiro do que o legal.

Recorde-se que o Observador revelou esta sexta-feira que as mensalidades do colégio da Estrela, em Lisboa, tinham disparado sem razão aparente. A Associação de Jardins-Escolas João de Deus diz que a culpa foi do Ministério da Educação, mas a tutela garante que o colégio é que entregou documentos fora do prazo, fazendo com que os alunos perdessem os apoios estatais a que tinham direito.

Em declarações à RTP, António Ponces de Carvalho diz que “não há nada de ilegal, não há nada de imoral ou nada que seja contra a ética” na conduta da escola. “Há na associação 451 alunos que não pagam nada. Isto a nível nacional, mas se for ver uma escola em particular…”, contabiliza o diretor da Associação. E justifica, desta vez sem acusar o governo, os aumentos das mensalidades: “A única maneira de a instituição sobreviver é por aquilo que eu chamo de solidariedade social. Os pais que podem pagar um pouco mais porque têm a sorte de pertencer a famílias socialmente mais favorecidas compensam os outros”.

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