Um dia depois de a investigação a uma alegada violação em grupo na Universidade de Cornell ter sido reaberta, foram divulgadas novas mensagens entre a estudante que apresentou a denúncia e um dos homens acusados. As conversas, segundo a CBS News, foram enviadas poucos dias depois do acontecimento e incluem referências ao consumo de álcool e drogas e ao que aconteceu naquela noite de outubro de 2024.

Nas mensagens obtidas pela CBS, o homem (que não é identificado) pediu desculpa a Jane Doe (nome fictício) pela forma como “as coisas aconteceram” e admitiu que a sua memória daquela noite estava “meio confusa”. Disse ainda que ele e outro homem lamentavam ter estado demasiado embriagados para “impedir aquilo e expulsar as pessoas antes de ficar completamente fora de controlo“. A jovem, na altura com 20 anos, respondeu que também tinha a memória “muito confusa” e que todos tinham consumido álcool e drogas.

Álcool, drogas e fraternidades. Reaberta investigação de alegada violação em grupo em universidade dos EUA

A estudante, ainda nas mesmas mensagens, escreveu que “nenhuma das coisas sexuais era ilegal” e disse que tinha gostado de estar com aquele homem e outro dos presentes. Mais tarde, sugeriu que voltassem a fumar juntos, mas “sem os outros cinco mil homens e a ketamina“.

O advogado da mulher, Thomas Giuffra, confirmou à CBS que a cliente trocou mensagens com um dos homens acusados nos dias seguintes ao episódio, mas afirmou não poder confirmar a autenticidade das imagens divulgadas pela estação televisiva. Segundo o advogado, a mulher estava traumatizada, em estado de negação e procurava perceber o que tinha acontecido naquela noite.

De acordo com a mesma estação de televisão norte-americana, foram também divulgadas mensagens enviadas na noite dos acontecimentos de um grupo de Snapchat associado à fraternidade Chi Phi ligada à Universidade, a que pertenciam os sete agressores. Numa delas, publicada quando a estudante se encontrava na casa da fraternidade, alguém terá escrito uma mensagem de teor sexual indicando que havia uma mulher disponível. Mais tarde, outro membro perguntou: “A loja ainda está aberta?”, recebendo como resposta: “Sim”.

A divulgação das mensagens acontece depois de Matthew Van Houten, procurador do condado de Tompkins, ter anunciado a reabertura da investigação criminal. O processo tinha sido encerrado em novembro de 2024 sem acusações.

Van Houten justificou então a decisão com as diferenças entre o depoimento prestado pela mulher às autoridades em 2024 e as alegações apresentadas numa ação cível contra Cornell e os sete homens, apresentada este mês. O procurador afirmou que a declaração inicial não alegava que a estudante tinha sido drogada contra a sua vontade ou violada por vários homens.

O caso remonta a 19 de outubro de 2024, quando a estudante foi à casa da fraternidade Chi Phi, no campus de Cornell, à procura de um amigo. Numa ação apresentada este mês, acusa sete membros da fraternidade — Matthew Ingalls, Johnathan Newell, Winston Lee, Gillio Lopes, Diego Sarabia, Scott Norris e Scott Kretzschmar — de a terem agredido sexualmente depois de ela ter consumido substâncias ilícitas. A mulher afirma que inicialmente consentiu em ter relações sexuais com dois dos homens, mas que posteriormente outros se juntaram e que foi sujeita a álcool e drogas.

Nenhum dos sete homens foi criminalmente acusado na sequência da investigação de 2024. Após uma investigação interna da Universidade, dois dos estudantes foram expulsos e os restantes receberam outras sanções disciplinares, podendo continuar os estudos.

Agora, Van Houten pretende apresentar o caso a um júri que poderá avaliar o depoimento da estudante e novas provas relacionadas com as alegações feitas na ação cível. O procurador espera que o processo possa chegar ao júri nos próximos 45 dias.

[Annie está de volta a Havana. Apesar das relações privilegiadas com altas figuras do regime, quer viver como os cubanos, divertir-se como os cubanos e… sofrer como os cubanos. Mas continua a ser filha do diretor da PIDE. E Fernando Silva Pais e Armanda Palhota não estão dispostos a deixá-la passar tão facilmente para o lado do inimigo. Já pode ouvir o terceiro episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]