A canábis continua a ser a droga mais usada em Portugal, mas o consumo de cocaína e MDMA aumentou em Lisboa entre 2013 e 2017, revelou esta quinta-feira o Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT).

Os últimos dados sobre análises a águas residuais revelam hábitos de consumo de drogas em 73 cidades europeias, de 20 países, e um aumento na deteção de estimulantes.

Lisboa, Porto e Almada participaram no estudo europeu que fornece informação sobre o consumo de droga a nível municipal, com base nos níveis de substâncias ilícitas encontrados nas águas residuais.

Os resultados mostram um aumento de cocaína e MDMA consumidos em Lisboa entre 2013 e 2017, sendo o uso destas substâncias mais comum na capital do que no Porto e em Almada (em 2016 e 2017).

Em todos os locais, a presença destas substâncias na água era maior aos fins de semana do que durante a semana.

No entanto, em 2017, os níveis de anfetaminas e metanfetaminas detetados nas três cidades permaneceram baixos, indicando “um uso muito limitado dessas substâncias” naqueles locais, refere um relatório do OEDT.

O Observatório sublinha que os dados mais recentes sobre o uso de drogas entre os estudantes foram relatados no “European School Survey Project” de 2015 sobre Álcool e Outras Drogas (ESPAD, na sigla em inglês).

O consumo de canábis e outras substâncias ilícitas entre os estudantes portugueses foi “ligeiramente inferior à média europeia”, com base em dados de 35 países, (abaixo de 20%). Já o uso de novas substâncias psicoativas ao longo da vida ficou muito abaixo da média, que é inferior a 10%.

Também o consumo de cigarros e álcool ficou abaixo da média europeia apurada, que ultrapassou ligeiramente os 20% no primeiro caso e largamente os 40% no segundo, de acordo com os gráficos apresentados no relatório do OEDT.

“Estima-se que em 2015 havia cerca de 33.290 consumidores de opiáceos de alto risco em Portugal, o que representa cerca de 5,2 por 1.000 entre a população adulta”, lê-se no documento.

O teste de rastreio de canábis incluído em 2016-17 num inquérito geral à população indicou que cerca de 0,7% dos residentes entre os 15 e os 64 anos poderiam ser considerados consumidores de alto risco, de canábis.

Dados dos centros de tratamento especializados mostram que as solicitações de primeiros tratamentos atribuíveis ao uso de heroína diminuíram desde 2009.

Por oposição, as novas entradas para tratamentos resultantes do uso primário de canábis quase duplicaram nos últimos anos.

“Após um período de alguma estabilidade na procura de novos tratamentos relacionados com a cocaína, observou-se um aumento nos últimos anos”, observam os peritos, notando que os homens representaram a maioria das pessoas que procuraram tratamento.

A canábis continua a ser a droga mais frequente em Portugal, seguida de MDMA/ecstasy e cocaína, segundo o relatório.