Oito vitórias nas principais voltas — Giro d’Italia, Tour de França e Vuelta a Espanha — e um registo superior a 300 vitórias, numa parceria que durou mais de uma década e chega agora ao fim. A cadeia de televisão britânica Sky deixou de patrocinar e dar nome à equipa de ciclismo mas, de acordo com o The Guardian, está perto o anúncio de quem lhe sucede. Nas próximas 48 horas a equipa deve anunciar Jim Ratcliffe como o novo dono e a sua empresa petrolífera, a Ineos, como o novo nome.

Fontes próximas da equipa confessaram ao jornal britânico que foram feitas quatro ofertas “fortes”, mas nenhuma com os recursos de Ratcliffe. A cadeia de televisão britânica investiu mais de 150 milhões de libras nos últimos dez anos, menos de 15 milhões anuais. Mas o novo patrocinador cavou mais fundo e tem 40 milhões de libras anuais (mais de 45 milhões de euros) para gastar. Ou seja, com a Ineos o orçamento mais do que triplicou. Este aumento orçamental faz com que seja expetável que a equipa mantenha os principais corredores. O The Guardian avança que é “quase certa” a continuidade de Geraint Thomas, o vencedor do último Tour de França, de Chris Froome, que venceu em 2013, 2015, 2016 e 2017, e do colombiano Egan Bernal, que venceu o Paris-Nice no último sábado. Os ciclistas continuam, apesar do alegado assédio de várias equipas rivais.

O novo dono, Jim Ratcliffe, é o homem mais rico do Reino Unido e tem uma fortuna avaliada em cerca de 13 mil milhões de dólares (mais de 11 mil milhões de euros), ocupando o 110.º lugar da lista dos mais ricos do mundo da Forbes. O inglês detém 60% da Ineos, uma empresa de produtos químicos que, no ano passado, alcançou lucros de mais de 2,2 mil milhões de libras (2,5 mil milhões de euros) e emprega 18,5 mil pessoas. Apoiante do Brexit, deixou o Reino Unido e mudou-se para o Mónaco, onde os principais corredores da equipa e o treinador, Tim Kerrison, estão sediados.

Bradley Wiggins, o primeiro ciclista a vencer o Tour de França pela Sky, diz ser uma “ótima notícia para todos os envolvidos na Sky e para os ciclistas“. “Nunca é uma boa pressão andar constantemente a perguntar a um empresário para onde vão no próximo ano e se há dinheiro para continuar”, disse num podcast da Eurosport. Para o antigo ciclista inglês, que materializou o objetivo da Sky aquando da aquisição da equipa com a vitória do Tour, a equipa continuará sob a controlo de Dave Brailsford, o diretor-geral. “É tudo feito à maneira do Dave no que toca ao controlo da equipa e penso que ele estaria relutante quanto a ter outra multinacional a assumir o controlo”, acrescentou.

Esta não é a primeira investida de Jim Ratcliffe no desporto. De acordo com o The Guardian, o inglês equacionou comprar o Chelsea e, no ano passado, investiu 110 milhões de libras (mais de 128 milhões de euros) numa equipa de vela britânica com o propósito de vencer a America’s Cup 2021. Tal como vai acontecer com a Sky, a equipa de vela passou a ter Ineos no nome.