A cadeia de televisão britânica Sky vai deixar de patrocinar a equipa de ciclismo a que dá atualmente o nome no final da temporada de 2019. A decisão, anunciada aos ciclistas e ao restante staff por Dave Brailsford, diretor-geral da equipa, na noite da passada terça-feira num campo de treino em Maiorca, coloca um ponto final numa parceria de mais de dez anos em que a Sky conquistou 322 vitórias, entre as quais 25 em provas de um dia, 52 etapas em grandes voltas e oito gerais em grandes voltas, entre Giro d’Italia, Tour de França e Vuelta a Espanha.

O diretor-geral da Sky garantiu que a equipa não deixará de existir no final de 2019 e que um novo patrocinador será encontrado até ao fim da próxima temporada. Ainda assim, esta não será uma tarefa fácil nem ao alcance de qualquer bolso, já que a cadeia de televisão britânica investiu mais de 150 milhões de libras nos últimos dez anos – tornando a Sky na equipa de ciclismo com maior financiamento. Apesar do fim da parceria com a Sky em 2019, a equipa tem contrato assinado com vários ciclistas até 2023 (como Egan Bernal, Salvatore Puccio, Luke Rowe e Geraint Thomas), o que pode motivar a procura por parte de investidores, face à elevada qualidade e provas dadas dos atletas.

“Enquanto a Sky irá seguir em frente no final do próximo ano, a equipa tem a mente aberta em relação ao futuro e à possibilidade de trabalhar com um novo parceiro, caso se dê a oportunidade certa. Mas ainda não acabámos, de todo. Há um entusiasmante ano à nossa frente e vamos fazer tudo o que pudermos para trazer mais sucesso à Sky em 2019″, disse Dave Brailsford, citado pelo The Guardian. Segundo o jornal inglês, o próprio diretor-geral foi surpreendido pela notícia na semana passada, quando os executivos da Sky lhe disseram que este era o momento oportuno para a separação face à venda de 39% do capital social da cadeia de televisão à Comcast, num negócio que terá rondado os 13 mil milhões de euros.

A decisão da Sky de abandonar o ciclismo rapidamente trouxe de volta a discussão e as suspeitas sobre a utilização de doping no cerne da equipa. Nos últimos anos, a Sky tem enfrentado vários escândalos relativos ao uso de doping e substâncias proibidas: em março, o comité britânico para a Cultura Digital, Comunicação Social e Desporto concluiu que a equipa tinha abusado do sistema anti-doping na antecâmara do Tour de França de 2012, ao utilizar certificados de isenção de uso terapêutico para autorizar a administração de triamcinolone, uma substância para aumentar o nível de rendimento dos atletas. A Sky negou todas as alegações mas as piores notícias ainda estavam para vir – chegaram quando Chris Froome, acabado de vencer a Vuelta de 2017, testou positivo para salbutamol e acabou por ver o título ser-lhe retirado pela Union Cycliste Internationale – decisão que acabou posteriormente por ser revertida. Como se ainda não fosse suficiente, Richard Freeman, que foi o médico oficial da equipa durante vários anos, vai ser ouvido em fevereiro sobre uma entrega suspeita de testosterona no velódromo nacional inglês, em 2011.

A Team Sky arrancou em 2010 com o objetivo de levar um ciclista inglês à vitória no Tour de France, algo que nunca tinha acontecido e foi alcançado em 2012, quando Bradley Wiggins passou pela meta nos Champs-Élysées vestido de amarelo. “A visão para a Sky começou com a ambição de construir uma equipa limpa e vencedora à volta de ciclistas e staff britânicos. O sucesso da equipa tem sido o resultado do talento, da dedicação e do trabalho árduo de um notável grupo de pessoas que se têm desafiado constantemente para chegar a novos patamares de performance. Nada disto seria possível sem a Sky. Estamos orgulhosos do papel que temos tido na transformação do Reino Unido numa nação do ciclismo na última década”, acrescentou Dave Brailsford.

Ao serviço da Team Sky, Bradley Wiggins conquistou o Tour de França em 2012, Chris Froome em 2013, 2015, 2016 e 2017 e Geraint Thomas venceu a última edição, em 2018. Froome e Thomas, os dois ainda ao serviço da equipa britânica, podem voltar a levantar o mais prestigiado título do ciclismo internacional em 2019 – o último ano em que terão o nome da cadeia de televisão nas camisolas.