Quatro jovens ficaram feridos esta sexta-feira na sequência da queda da parte de trás de uma composição do Metro do Porto, no Túnel da Levada em Rio Tinto, Gondomar, em direção à Senhora da Hora. As vítimas foram transportadas para o Hospital de São João, no Porto.

Um dos feridos está em estado grave, e estava inconsciente quando foi transportado para o hospital, com ferimentos na cabeça. O socorro foi pedido por um dos jovens, que tinha apenas algumas escoriações, e que conseguiu fazer sinal à composição do metro que seguia no sentido contrário.

Os quatro adolescentes têm entre 15 e 16 anos e ficaram feridos quando viajavam pendurados na última carruagem da composição do metro e caíram — o chamado train surfing — , informou o adjunto do comando dos Bombeiros Voluntários de Areosa – Rio Tinto, Serafim Fonseca.

Os quatro adolescentes iam sentados na parte de trás da composição do metro, do lado de fora, num dos para-choques, que cedeu. A situação foi “pura adrenalina”, como descreve a primeira pessoa a prestar ajuda aos jovens. Os amigos resolveram “ir dar uma volta”, como conta José Ferreira, que pensou que os jovens não teriam dinheiro para comprar o bilhete, quando “um deles foi ao bolso e mostrou-me o passe, e eu fiquei surpreendido”.

O alerta foi dado às 13h19, segundo o Comando Distrital de Operações e Socorro do Porto da Proteção Civil. No local estiveram meios dos Bombeiros Voluntários de Areosa – Rio Tinto, a viatura médica de emergência e reanimação (VMER) do Hospital de São João, bem como a VMER do Hospital de Santo António.

José Ferreira e o motorista da composição do metro foram os primeiros a prestar socorro aos jovens. No local do acidente, perto do centro comercial Parque Nascente, o homem afirmou que quem viajava no sentido contrário foi “surpreendido por um miúdo no meio da linha a mandar parar, a pedir socorro”. José seguia na linha Senhora da Hora-Fânzeres, quando percebeu que a situação era grave. “O motorista parou o metro, primeiro pensou que fosse uma brincadeira, mas depois viu que era grave. O miúdo estava muito aflito.”.

Segundo o relato, o homem e o motorista saíram a correr da composição do metro que estava a cerca de duzentos metros de distância do sítio onde os adolescentes estavam deitados, na linha, no interior do túnel antes da estação de Levada. De acordo com a testemunha dois dos jovens estavam inanimados.

O motorista do metro retirou o veículo do túnel, e chamou socorro, já que dentro do túnel as comunicações estavam fracas. Aos dois juntou-se um jovem, que segundo José Ferreira, esteve a ajudar a prestar os primeiros socorros, já que teria formação na área. As ambulâncias terão demorado cerca de meia hora a chegar.

“Estivemos a dar alguma assistência e acalmar os miúdos”, conta o homem, que afirma ainda que só um dos adolescentes conseguia comunicar com quem prestava auxílio, “os outros não falavam só diziam que tinham dores e um deles nem falava nada” e estavam todos a sangrar. Um dos jovens estaria inconsciente e terá continuado sem sentidos até ao momento em que foi transportado para o hospital.

O jovem “tinha a cabeça muito aberta, tinha um golpe muito grande na cabeça e dizia que tinha muitas dores”, segundo a testemunha.

O incidente obrigou ao corte da linha do metro nos dois sentidos entre Gondomar e o Porto durante cerca de uma hora, tendo a circulação sido já retomada.