As eleições legislativas são só em outubro, mas parte da “missão São Bento” consiste em jogar na antecipação. Por isso, Assunção Cristas vai fechar esta sexta-feira a lista de deputados do CDS à Assembleia da República — pelo menos a parte da chamada quota nacional, que inclui os cabeças de lista dos 18 distritos, os quatro primeiros nomes de Lisboa e os dois primeiros do Porto. Os restantes serão indicados pelas distritais. São esses nomes que a líder do CDS se prepara para apresentar ao Conselho Nacional, que se reúne esta sexta-feira à noite no Largo do Caldas, a par dos já conhecidos nomes que vão constituir a lista para as eleições Europeias.

O objetivo é aumentar (ou pelo menos manter) os 18 deputados eleitos nas últimas legislativas, em que o CDS concorreu coligado com o PSD, mas não há muita margem de manobra para inovar nas listas. No último Conselho Nacional de 12 de janeiro, foi aprovada a metodologia: caberia à direção do partido escolher os cabeças de lista aos 18 distritos e mais quatro candidatos em Lisboa e dois no Porto, depois de “ouvidas as respetivas distritais”. Nos Açores e na Madeira, os cabeças de lista seriam escolhidos pelos órgãos regionais, “no respeito pelas autonomias”. Ficou também assente que caberia a Cristas a escolha de “um lugar nacional” para a Juventude Popular, que atualmente não tem representação no grupo parlamentar e que há muito reclama por ele.

Com este tabuleiro por preencher, e com as peças já em jogo, não há muitas peças novas para mexer. Nas últimas semanas, deputados e candidatos a deputados faziam contas para perceber qual a margem de manobra da líder do partido para balançar novidade e renovação com experiência e continuidade. Ao Observador, um deputado fazia as contas por alto e antevia duas vagas estratégicas: um lugar em Faro, uma vez que a atual cabeça de lista, Teresa Caeiro, já fez saber, conforme o Expresso noticiou, que iria deixar a política ativa (depois de três mandatos como deputada), e um lugar em Leiria, já que Assunção Cristas era cabeça de lista por aquele distrito mas vai agora encabeçar Lisboa. Tirando isso, resta apenas jogar com os lugares de Lisboa e Porto, onde o CDS elege mais, assim como os de Braga e Aveiro, onde também costuma eleger pelo menos dois (nestes dois casos, contudo, ficou acordado que caberia à distrital indicar o número dois).

Uma coisa também é certa: Francisco Rodrigues dos Santos, o combativo líder da Juventude Popular que, no último congresso do CDS, em Lamego, causou momentos de grande tensão ao instar indiretamente largas dezenas de jotas a subir ao palco para defender um lugar para si nas listas de deputados, vai ser um dos nomes que seguem na quota da direção. “Onde tem mais margem para [a direção] o pôr é em Lisboa ou no Porto”, comentava ao Observador um deputado, que achava pouco provável que “Chicão”, como é conhecido, fosse como cabeça de lista de um distrito onde o CDS já elege, achando já mais plausível que o líder da jota fosse “imposto” a uma das duas maiores distritais. “Não há argumentos para uma distrital recusar o líder da Jota, ainda para mais sabendo que é alguém que já se percebeu que vai dar frutos no fuuro”, dizia.

Assim sendo, há nomes que são dados como certos. É o caso de João Almeida em Aveiro, Nuno Magalhães em Setúbal, Telmo Correia em Braga, Cecília Meireles no Porto (já que Mota Soares vai na lista para o Parlamento Europeu), Ana Rita Bessa (que vai ser a diretora de campanha), Isabel Galriça Neto ou João Gonçalves Pereira por Lisboa. Viseu, Viana do Castelo e Santarém também são distritos onde o CDS costuma eleger pelo menos um deputado, podendo aqui manter-se os atuais, caso de Patrícia Fonseca, Santarém, e de Hélder Amaral, Viseu, ou podendo haver alterações. No Porto, além de Cecília Meireles deverá ir também o líder da distrital, Fernando Barbosa, que tem sido um dos mais contestatários da atual direção: derrotou a vice-presidente do CDS nas eleições internas e tem feito intervenções duras no sentido de dar voz aos centristas do Porto, em vez de ser tudo decidido pela direção em Lisboa. Beja, Évora, Portalegre, Vila Real, Bragança, Coimbra ou Castelo Branco, são distritos onde o CDS não elegeu ninguém nas últimas eleições.

Os nomes que preenchem a quota da direção nacional vão ser apresentados — e votados — ao Conselho Nacional esta sexta-feira à noite, numa reunião na sede do partido, onde também vão ser votadas e aprovadas as listas para as Europeias. O CDS dá assim o tiro de partida para o período eleitoral, sendo o primeiro partido a avançar já com as listas para as legislativas de outubro. O objetivo é que os então candidatos possam já aparecer nos seus círculos a fazer campanha — para as Europeias — ao mesmo tempo que ganham visibilidade para a campanha seguinte. Ou seja, uma espécie de dois em um.